Graham Greene: uma vida secreta

Image hosted by Photobucket.comEm 2 de Outubro de 2004 completaram-se cem anos sobre o nascimento de Graham Greene. O autor de «O nosso homem em Havana» foi escritor sobre temas de espionagem e entre Julho de 1941 e Maio de 1944 foi agente do MI6, na área da contra-espionagem. Portugal seria também o seu alvo. Estávamos em plena segunda guerra mundial. Para comemorar o acontecimento proferi uma conferência em Sintra, na Casa-Museu Ferreira de Castro, no dia da efeméride. De tal conferência, ainda inédita, publiquei um resumo na revista «Visão». Eis o texto do respectivo artigo.


Um homem que ficcionou a própria vida, vivendo-a duplamente e recriando-a ao contá-la, eis no campo literário, Henry Graham Greene: um escritor que conviveu com a realidade dos serviços secretos e disso faz narrativa para os seus livros. Perfazem-se no próximo dia 2 de Outubro, cem anos que ele nasceu.
A sua vida foi controversa, as biografias que se lhe dedicaram também.
O professor americano Norman Sherry levou doze anos a escrever dois volumes de uma obra sobre ele, que projectara em três tomos. Ao ter entrado no segundo momento desse seu aturado trabalho, o biografado morreu-lhe. Estava-se em 1989. Graham Greene faleceu em Vevey, um lugar aprazível para se viver.
Michael Shelden seguiu-lhe os passos, tentando encontrar a verdadeira natureza desse personagem ambíguo, dissimulado, evasivo.
Entrado na «disciplinada e digna fileira dos mortos», Graham Greene é ainda hoje um homem e uma colecção de máscaras da sua pessoa.
O essencial da sua vida pública resume-o à escrita.
O grande público associa-o nomeadamente a guiões para filmes, até porque muitas das suas obras acabaram vertidas para cinema. E não foi só «O Americano Tranquilo», essa narrativa parcialmente auto-biográfica, que descreve parte das suas andanças pelo Vietname. A sétima arte acolheu também muitos outros dos seus trabalhos, alguns em adaptações. É o caso de «O Terceiro Homem», em que Orson Welles tem um desempenho notável, e tantos outros.
Escritor laureado, mas que nunca chegaria a receber o prémio Nobel da literatura, na obra de Greene o tema da espionagem tem, porém, uma incidência muito significativa. Livros como «O nosso homem em Havana», «O Factor Humano», «O Agente Confidencial», ou são histórias vividas no âmago dos serviços de informações ou narrativas para cuja construção o envolvimento de Greene nos serviços secretos foi determinante.
O mundo secreto é uma experiência importante na sua vida.
Greene trabalhou pouco na espionagem e escreveu muito sobre a espionagem.
Parte do seu percurso nos serviços secretos tem a ver com Portugal, durante a Segunda Guerra.

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