«Manezes», um personagem ISOS

Ainda Liddell, ainda Menezes. Este domingo conferi as menções feitas no índice analítico dos diários de Guy Liddell a Rogério Magalhães Peixoto de Menezes e comparei-as com aquelas outras que eu tinha encontrado em Inglaterra nos Arquivos Nacionais [cota KV4/190], quando li aqueles diários na sua forma original, naqueles dossiers de argolas com aparência escolar, contendo as notas que ele todos os dias ditava, para serem dactilografas, à sua secretária sobre o que se passava nos serviços de contra-espionagem MI5, de que foi director durante a segunda guerra. O trabalho, minucioso, valeu a pena. Havia mais referências nos documentos originais do que o índice analítico elaborado por «Nigel West» assinala. Descobri, por exemplo, que Liddell anotara que os ingleses tinham um agente seu infiltrado na Embaixada portuguesa em Londres, que vigiava de perto o nosso biografado. E mais interessante ainda foi saber que Menezes, que a dactilógrafa, escrevendo foneticamente, grafa como «Manezes», era «a Portuguese ISOS character», o que quer dizer que ele havia sido, afinal, descoberto, antes de chegar a Inglaterra, através do sistema de escuta das rádio comunicações alemãs e sua descodificação em Bletchley Park. ISOS era, na verdade, um nome de código apto a designar «Intelligence Service Oliver Strachey», o nome do oficial britânico encarregado do tratamento das cifras alemãs manuais. Quando chegou a Londres, tinha o MI5 à espera.