O barão vermelho que me deixou verde!


Um livro é um torvelinho de afectos. Na ânsia de enriquecer o meu último livro e já na fase da revisão de gralhas, que é aquela em que um autor odeia o que escreveu e quase se pega à pancada com quem lhe sugere mais emendas, escrevi que a minha Lily Sergueiew tinha aprazado uma entrevista em Berlim com um barão, um tal von Richtoffen. Tinha lido isso no livro de viagens que ela escrevera, em 1933, «Mon voyage a pied» e que eu lera linha a linha, como se fizesse, tal como ela, a viagem Paris/Varsóvia a pé. Vai daí nem hesitei: só podia ser Manfred von Richthoffen, o «barão vermelho» o célebre herói da aviação. Crassa estupidez! Este aeronáutico barão morrera a 21 de Abril de 1918. Barão por barão haveria de ser um outro. Felizmente tenho leitores atentos, o que muito de honra. Deram por este gato e darão por outros. Hoje, domingo pela manhã, lá estava eu a conferir na página 142 do livro da minha biografada, fonte originária do erro. Não havia dúvidas. Era mesmo desatenção. O curioso da história é que no meu livro, depois de dar como assente que ela se ia iria encontrar com o aviador, pergunto-me em pé de página porque é que não refere que era o lendário barão vermelho. Pois pudera! O homem já tinha batido a asa. Aos leitores as minhas desculpas. É um pormenor, mas um pormenor irritante. Como dizia o Carlos Pinto Coelho, acontece!