O Hotel Aviz

Hoje é uma torre horrível, o Centro Comercial Imaviz. Mas já foi em tempos um dos mais belos hotéis de Lisboa, o Hotel Aviz, na Avenida Fontes Pereira de Melo (telefone 48101). Em 1941/42 um cidadão arménio, portador de passaporte diplomático iraniano nº 712, ali residia , onde o Doutor Azeredo Perdigão, então um reputado Advogado comercialista em Lisboa o viria a encontrar, a seu pedido, para benefício diga-se de todos os portugueses, pois dessa relação nasceria a criação da generosa Fundação Gulbenkian, mecenas das artes e da cultura no nosso país. Chamava-se Calouste Gulbenkian.
Instalado numa «suite», a sua comitiva integrava Miss Isabelle Theis, secretária (passaporte nº 20328), Helène Wilhelm, empregada de quartos, de nacionalidade francesa, Eugène Bruneau, um «valete» e enfermeiro, de nacionalidade francesa (passaporte nº 763), José Martinez, um correio intérprete, de nacionalidade espanhola (passporte nº 1411) e Mehmed Saradjoglu, motorista de nacionalidade turca (passaport nº 709/105).
O magnate havia deixado para trás, em França, uma vultuosa colecção de objectos de arte de grande valor e procurava no nosso país neutral um ambiente de sossego.
Generoso, havia multiplicado ofertas pecuniárias, entre a quais 50 contos à Faculdade de Direito de Lisboa, para os melhores alunos.
O Hotel tem uma história lligada à espionagem e à passagem de personalidades pelo nosso país durante a Segunda Guerra. Ao passar no local onde esteve, é coisa que nem se adivinha. Um dia diremos o que ali sucedeu.