Segui todos os seus passos, a viagem a pé Paris/Varsóvia, em 1933, com vinte e um anos de entusiasmo, a viagem de bicileta Paris/Líbano, em 1938, uma coragem inaudita, sempre a solidão a persegui-la, a arte e a escrita como sublimação. Vi-a, como se a tivesse visto, a subir a pé, em 1943, a Avenida da Liberdade em Lisboa, agente dupla ao serviço da causa aliada.
Encontrei-lhe, hoje nonagenário, um indiferente marido, num lugar perdido no Massachusetts. Li as cartas que escreveu, doente, a vida a escoar-se-lhe e ainda movendo-a uma raiva gigantesca de viver.
Por causa desta mulher escrevi um livro que é uma despercebida carta de amor ao que de melhor pode haver numa mulher. Hoje atrevo-me a dizê-lo, talvez pela razão ridícula de ser o dia da mulher, que isso me dói, por ela. Talvez não devesse dizê-lo. Mas é-me impossível evitar ter acordado com isso no pensamento.
P. S. Este blog está parado. Reparo agora com pena por isso e com esperança de o retomar, trazendo-o à luz.