Ainda Howard

Obrigado à Teresa Guerreiro, infatigável coleccionadora de fotografias, o ter encontrado este momento em que o Século Ilustrado recordava que há trinta anos o actor Leslie Howard havia estado em Portugal, a proferir conferências. Sobre isso e sobre a circunstância de, ao haver regressado a casa, ter encontrado a morte, pois o avião onde viajava foi atacado pela Luftwaffe, escrevi um livro. Nele contámos a história em texto e em banda desenhada, esta com o traço do Carlos Barradas. Na foto, à direita, o seu empresário Alfred Chenalls, que também morreria na fatídica viagem. Treze passageiros a bordo, número aziago. Depois de ter escrito o livro encontrei ainda, saudosa, uma cativante figura de mulher a quem ficou, numa solitária fotografia, a recordação do momento grato dessa sua passagem por Lisboa.

Casino Royale

No dia 28 de Maio comemoram-se cem anos que nasceu Ian Lancaster Fleming. Oficial dos serviços de informações da Marinha Britânica, o NID, esteve em Portugal, a acompanhar o almirante John Godfrey, a caminho da América, e participou na implantação de algumas operações secretas que envolvem a área ibérica.
Retirado do serviço militar, iniciaria aquilo que o levaria a figura de renome mundial, a actividade de escritor. Em 1953 publicaria Casino Royale, uma novela de suspense, em que o agente comunista Le Chiffre joga a partida da sua vida, na ânsia de poder recuperar os fundos do Partido, sem o que estaria à mercê do SMERSH, o cruel serviço de execuções de Moscovo, resopnsável pelo assassinato de Trotsky no México.
Redigido no ambiente da guerra-fria, na Jamaica, a cena do livro inspira-se numa passagem do autor por Lisboa, diz o site oficial do MI6. No livro a cena ocorre num casino que Fleming situa em Royale-les-Eaux, junto ao Somme. É aí que se dá a batalha decisiva entre os dois agentes, 007 a ter de vencer entre «um murmúrio de amor, um murmúrio de ódio».
É sobre isto que, por mais fantástico que pareça, estou a terminar um pequeno livro; a terminar ou a começar, conforme a perspectiva das coisas. Estará pronto a tempo.

A casa da Laura


Quando eu escrevi o guião para o livro sobre a morte do actor Leslie Howard senti uma dificuldade. Sabia que uns dias antes de embarcar, em Lisboa, para o fatídico voo em que encontraria a morte, Howard tinha jantado em Cascais com o seu amigo Ralph Chennals, no restaurante Casa da Laura.
Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:
o Carlos Barradas, autor das pranchas, desenhou a cena como se vista em plano picado, do alto.

Ora não é que o destino me fez encontrar agora, precisamente neste blog, aquilo que eu nem sonhava poder vir a encontrar?