"Romances de espionagem!

Uma pessoa mata-se a trabalhar. Passa dias nos arquivos, gasta uma pequena fortuna em livros e em documentos. Publica cinco livros que foram centenas de horas de investigação sobre a guerra secreta em Portugal enter 1939-1945. 
Depois lê isto aqui, citado a propósito do actual momento e dos "espiões" que foram descobertos nos EUA mais as trocas com espiões russos: «(...) analisa José António Barreiros, advogado, autor de romances de espionagem, incluindo um (Nathalie Sergueiew, uma agente dupla em Lisboa) que relata a actividade de uma espia russa em Portugal». Romances de espionagem diz ele jornalista que quando me telefonou se justificou dizendo conhecer a minha obra e a quem eu disse que hesitaria responder por me parecer que a mesma, sendo no campo do ensaio histórico podia não dar elementos que permitissem uma opinião credível sobre o que estava em causa.
Uma pessoa mata-se a trabalhar. Passa dias nos arquivos, gasta uma pequena fortuna em livros e em documentos. Publica cinco livros que foram centenas de horas de investigação. Depois sente-se uma palhaço às mãos deste mundo de superficialidades. Antigamente irritava-me porque amigos meus diziam que tinham gostado muito de ler os meus "romances policiais". Agora, às mãos da imprensa bem pensante passei a autor de "romances de espionagem". É por isso que quase não leio jornais. Na minha pele sinto a dos outros à mercê dos abutres da carne fácil, morta de pereferência.