Hitler e Portugal

Há achados inesperados. Este surgiu pela hora do almoço, entre uma garfada e uma espreitadela ao que ando a organizar no campo dos meus estudos. Um artigo sobre a relação entre Adolph Hitler e a imprensa portugusa. Abre com uma entrevista dada ao "Diário de Notícias".

«Armando Boaventura deixa perceber, no seu relato, que Hitler havia sido preparado para receber o jornalista, conduzindo a conversação em forma de monólogo.

"Oiço a sua voz - forte, dum timbre metálico que fere, voz de comando, autoritária.
O dr. Ashmann diz-lhe quem somos. Hitler já o sabia, e até, sobre cada um de nós, os dois jornalistas portugueses, possuia informações.
As suas primeiras palavras são de cumprimento - protocolares:
Lamenta não conhecer Portugal, por nunca o ter percorrido, mas as suas belezas, tesouros artísticos e gloriosa história não os ignora.
Uma frase, que o dr. Ashmann traduz num francês correcto:
  1. -As relações entra a Alemanha e Portugal têm tanta maior razão de existir, estreitas, íntimas e francamente cordiais, quanto é certo que a actual situação política portuguesa se inspira em muitos dos princípios, directrizes e objectivos que informam o regime nacional-socialista da nova Alemanha."


E tudo o mais que o leitor quiser ler aqui.

A honra da Rússia

Chamava-se Galina e encontrámo-nos, como se clandestinamente, em Zurich, eu trazendo à vista um livro do Graham Greene. Tudo começara numa livraria escondida onde procurei, como pretexto, álbuns sobre São Petersburgo. Procurava-os sim aos russos brancos em Paris, e à sua organização, as ROV, às infiltrações alemãs. Por ela soube que a Marina Grey era a filha do general Anton Denikin. Mais tarde seguiria no encalço dos raptores do general Miller, do mesmo bando que raptara o general Koutiepov, os mesmos que assassinariam "Trotsky". 
Foram tempos em que li às pressas "Le General Meurt à Minuit" na nova Biblioteca Francesa, monumental, em forma de livro, em que hesitei escrever que o ouro do Banco de Espanha foi roubado pela "ajuda" internacionalista e carregada no porto de Cartagena. 
Tempos em que subi a Rue Daru, folheei-os aos álbuns sobre a honra da Rússia, de André Korliakov, vi, boquiaberto no "Nimas" em Lisboa "O Agente Triplo" de Eric Rohmer, sem saber que tinha estudado tudo isso, semanas antes, incluindo o papel ambíguo de Nikolai Skoblin.
Tudo isso para um livro, a biografia de uma extraordinária mulher. O meu melhor livro, acho eu, o menos lido.

Aterrem em Portugal

A gentileza de Carlos Guerreiro permitiu a gentileza da entrevista. Milita no mesmo campo que eu, no seu caso, no da aviação. Pode ler-se aqui. Tem um blog e um livro que resume assim: «O nome deste blogue é igual ao de um livro chamado “Aterrem em Portugal”, editado em finais de 2008 e que contém histórias de aviões e aviadores alemães, britânicos, americanos e outras nacionalidades que durante a II Guerra Mundial aterraram ou caíram no nosso país.São mais de uma centena os aparelhos que tiveram esse destino e mais de seiscentos os homens que passaram por aqui durante esse período. Foi possível entrevistar vários destes homens ou consultar documentos – incluindo diários pessoais- onde a passagem por Portugal é referida».
Um trabalho notável.