Operação Triplex

A consciência de que os serviços secretos ingleses durante a 2ª Guerra violavam a mala diplomática dos países neutrais, entre os quais Portugal, veio-me ao conhecimento ao ter lido, há uns vinte anos, as memórias de «Kim» Philby. Em rigor o homem chamava-se Harold Adrian Russel Philby. Adoptou o designativo de «Kim» por causa da obra O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, de quem era fã.
Essas memórias foram escritas em Moscovo, após a sua inopinada fuga para a URSS, descoberto que foi o facto de ser uma "toupeira", dede há muitos anos, dos serviços secretos soviéticos na comunidade britânica de informações.
Na obra, «Kim» descreve o método usado: o avião onde o correio diplomático viajava era propositadamente atrasado, o homem convidado pelo oficial de segurança do aeroporto a aguardar a demora nas suas instalações e a "aliviar-se" da mala no cofre disponível. Claro que o cofre tinha fundo falso e a mala era aberta e o conteúdo fotografado.
O que vim a saber mais tarde é que o responsável por essas operações sistemáticas [cognominadas Triplex] era Anthony Frederick Blunt, ele também uma infiltração soviética, e membro do Grupo dos Cinco, tal era o número daqueles que a URSS havia logrado infiltrar a alto nível nos serviços secretos britânicos. Blunt que viria a ser uma proeminente figura da aristocracia britânica, com o título de Sir, e curador de quadros da Rainha...
Usei a informação quando escrevi a biografia do Rogério de Menezes, o dactilógrafo da Embaixada portuguesa em Londres, que era um agente ao serviço dos alemães e dos italianos, ao tempo em que o Embaixador naquele País era Armindo Monteiro, pai do escritor Luís de Sttau Monteiro.
E porquê? Porque durante a investigação que me conduziu ao livro havia um enigma a resolver: como é que os ingleses tinham tido acesso às cartas que Menezes enviava para Lisboa, em envelopes endereçados a sua irmã, D. Hália de Menezes, nas quais fazia constar, escritas em tinta invisível, informações que recolhia na capital britânica? E mais: porque é que durante o seu julgamento no Tribunal Criminal Central de Londers, o Old Bailey, tudo foi feito pela acusação para esconder a origem das informações que levariam à sua condenação à pena de morte? [da qual escaparia, como conto no livro, em circunstâncias que são tão fantásticas como uma obra de ficção].

P. S. No blog 24 Land publico mais referências a este assunto. A ler, aqui.