Os "Centenários": propaganda e estratégia

O filme é típica obra de propaganda, encomiástica, a voz alteada em narrativa laudatória. É um documentário sobre a Exposição do Mundo Português. Teve lugar na zona ribeirinha de Lisboa, sendo seu comissário o capitão Henrique Galvão.
O facto político que a exposição traduz é, porém, significativo. Enquanto a Europa se dilacerava em guerra, enquanto pairavam sobre Portugal as ameaças da invasão alemã e - afinal dos próprios aliados para a prevenir - o Estado Novo quis dar mostra pública de dois valores simbólicos: primeiro, o da sua independência - e pela Comemoração dos Centenários se junatavam 1140 e 1640, a primeira a data aproximada do surgimento da Nação, a segunda o da libertação dos cinquenta anos de sujeição ao domínio de Castela - e segundo o «haver habitualmente» que Salazar havia definido ser o modo tranquilo do português que idealizava.
Acto de propaganda, sim, mas não só interna, sobretudo externa, a Exposição, os Centenários foi naquele ano no domínio dos símbolos políticos o que a declaração de neutralidade foi no plano das representações geo-estratégicas.
Sem essa compreensão pouco se entende da vital inportância desse ano.
A Inglaterra, a nossa mais velha Aliada far-se-ia representar ao mais alto nível pelo Duque de Kent. Um outro Duque surgiria, porém... [a ele voltaremos].