José Ricardo Pereira Cabral




As pesquisas fazem-nos encontrar o que não esperamos, desta feita uma fotografia e uma notícia necrológica do coronel José Ricardo Pereira Cabral. Foi Governador-Geral de Moçambique e subsequentemente Governador-Geral do Estado Português da Índia. Enquanto no desempenho desta última missão teve papel relevante, na defesa dos interesses britânicos, num incidente, ocorrido em 1943 no porto de Mormugão, e que melhor descrevi no meu livro "O Espião Alemão em Goa". Faltavam-me então alguns dados que agora alcanço na totalidade, pois colho aqui estes elementos sobre a sua biografia que explicam agora cabalmente o perfil da sua actuação quando os navios Ehrenfels, Braunfels, Drachenfels, e Anfora, estacionados naquele porto, atacados que haviam sido por um comando britânico do SOE, oriundo de Calcutta, foram incendiados e afundados por ordem dos respectivos comandantes. Nasceu daí um gravíssimo incidente diplomático, tendo estado em causa a própria aliança com a Inglaterra. Cabral, um angófilo de gema, tudo fez para que a operação em causa não comprometesse o Governo de Sua Majestade:


«José Cabral nasceu em Lamego a 10 de Julho de 1879. Entre 1889 e 1895 frequentou o Real Colégio Militar, sendo graduado naquele último ano no posto de primeiro-sargento cadete. Ingressou seguidamente na Escola do Exército, onde concluiu o curso de oficial da arma de Cavalaria. [Com 27 anos de idade], em 1906 foi enviado para Moçambique, iniciando nos anos imediatos uma ligação à administração colonial que se manteria durante toda a sua carreira. Foi governador do Distrito de Inhambane (1910-1913), e ainda governador do Distrito de Moçambique (1916-1918 e 1919-1920), tendo nessas funções participado nas operações militares contra as forças alemãs da África Oriental Alemã no contexto da Primeira Guerra Mundial. Em 1926 foi nomeado Governador-Geral de Moçambique, cargo que exerceu até 1938. Neste último ano foi nomeado Governador-Geral do Estado da Índia, cargo que exerceu até 1945.
Recebeu as seguintes condecorações: Comendador da Ordem Militar de Avis (24 de Novembro de 1920); Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (6 de Fevereiro de 1922), com Palma; Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (21 de Maio de 1929); Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar; Medalha de Ouro Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a Legenda 1914-1918; e Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (7 de Setembro de 1935). Foi ainda distinguido com as seguintes condecorações estrangeiras: Comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge, concedida pelo rei Jorge V do Reino Unido (1919); Grande-Oficial da Ordem da Estrela de Anjouan de França, concedida pelo presidente da República Francesa (5 de Setembro de 1930; e Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, concedida pelo rei Jorge VI do Reino Unido (1940), com direito ao uso do título de Sir.»