O livro promete ser escandaloso ao falar do sofrimento dos alemães após a derrota em 1945. Tema tabu, pois apenas um dos lados era suposto ter sofrido atrocidades. Da recensão feita pelo Washington Post retiro: «During the forced expulsions of about 12 million Germans from the Reich's eastern provinces, mostly from territory that became part of the newly reconstituted states of Poland and Czechoslovakia, about 2 million died». Quando a História é escrita pelos vencedores, a verdade dos vencidos leva tempo a ser admitida, mesmo aqueles que estiveram em paz com a guerra.
O sofrimento silenciado
O livro promete ser escandaloso ao falar do sofrimento dos alemães após a derrota em 1945. Tema tabu, pois apenas um dos lados era suposto ter sofrido atrocidades. Da recensão feita pelo Washington Post retiro: «During the forced expulsions of about 12 million Germans from the Reich's eastern provinces, mostly from territory that became part of the newly reconstituted states of Poland and Czechoslovakia, about 2 million died». Quando a História é escrita pelos vencedores, a verdade dos vencidos leva tempo a ser admitida, mesmo aqueles que estiveram em paz com a guerra.
von Stauffenberg

Vai ser rodado um filme sobre o atentado contra Adolph Hitler perpetrado por um grupo de resistentes de que fazia parte o Conde Claus Philipp Maria Schenk von Stauffenberg.
A polémica estalou porque foi escolhido para o papel o actor Tom Cruise, conhecido pelas suas ligações à igreja cientologista.
Como já referi aqui, a propósito de Graham Greene, sucedeu que «Otto John, que foi advogado da Lufthansa em Lisboa que, estando implicado, conjuntamente com o conde Stauffenberg, na conspiração para assassinar Adolph Hitler, se refugiou em Lisboa, de onde foi exfiltrado através da actuação de Rita Winsor com a insólita conivência do capitão Catela da PVDE, que, para esse efeito o prendeu no Aljube, protegendo-o dos agentes da Gestapo».
Estranha ligação: um dirigente a PVDE, ajudado por uma agente do Mi6, a dar saída a um assassino de Hitler! Isto sim é polémica!
007: Ian Fleming para o ano!
Segundo anuncia o «Times» de Londres, em Março do próximo ano o Imperial War Museum albergará uma exposição sobre Ian Fleming, mais concretamente sobre o seu principal personagem James Bond. Ben Macintyre escreve actualmente o livro que acompanhará a exposição, a ser editado pela Bloomsbury, sob o título «For your eyes Only».Ian Fleming trabalhou durante a 2ª Guerra no Departamento Naval da Marinha, sector de informações. Reformado escreveu em 1952 a sua primeira novela sobre espionagem, «Casino Royale». 12 anos depois faleceria tendo deixado catorze novelas em que o principal personagem é o agente «007».
Há quem suponha que a história inicial foi inspirada na passagem de Fleming por Lisboa, onde, na companhia do almirante Godfrey, se dirigiu à América. Não parece que o ambiente sombrio do Casino Estoril, que então visitou, o tenha grandemente inspirado.
Personagem mais denso do que se pode presumir ante os filmes que foram rodados a partir dos seus escritos «ainda estudante na Universidade de Genève, por exemplo, Fleming correspondeu-se com o filósofo e cientista Carl Gustav Jung, de quem obteve, aliás, em 29 de Novembro de 1929, uma autorização escrita para traduzir um discurso sobre o alquimista Paracelso (de seu nome aliás Aureolus Philippus Theofrastus Bombastus von Hohenheim, nascido em 1493, na Suiça)». Escrevi-o no meu primeiro livro sobre esta temática, «A Lusitânia dos Espiões», felizmente fora do mercado!
P. S. Quem quiser muito sobre 007, veja-o aqui!
Documentos soviéticos desclassificados
De acordo com notícias divulgadas pela imprensa, o Ministério da Defesa russo desclassificou documentos referentes ao Exército Vermelho e à Marinha soviética referente aos anos de 1941-1945. Trata-se de documentos conservados no Arquivo Central do Ministério, em Podolsk, onde se conservam cerca de quatro milhões de espécimes. Igualmente serão libertos documentos do Arquivo Naval Central em Gatchina e do Arquivo Médico Militar em São Petersburgo.A abertura progressiva dos arquivos russos é uma realidade, embora por vezes aparente para o investigador ocidental.
Na óptica russa a libertação da informação é apresentada na perspectiva dos seus próprios interesses. Não admira que a informação seja divulgada como permitindo a reconstituição do número de baixas soviéticas durante a Segunda Guerra, estimado em 26.600 milhões, including 8.660 milhões no sector militar.
«Ostro» em Setúbal
Os meus trabalhos de investigação sobre a guerra secreta não estão parados, mas baralharam-se um pouco desde a edição do último livro. Estou a recomeçá-los, com maior sistematização. A minha próxima iniciativa vai ser uma conferência em Setúbal sobre o agente checo Paul Fidrmuc, cognome «Ostro». O episódio que irei contar sucedeu na Praia dos Coelhos. Entretanto hesito a que livro dedicar-me. Alguma coisa sairá. Câmara Clara
Reencontrei no arquivo da RTP2 o vídeo de uma entrevista [abre em Real Player] dada em 16 de Fevereiro de 2007 a Paula Moura Pinheiro, em conjunto com o Francisco Teixeira da Mota. Vim fixá-la aqui, uns dirão por vaidade, outros denunciarão que por propaganda, uns poucos sem perceberem por quê. A verdade é esta: é para não a perder, como sucede a tanta coisa que escrevi e programas a que fui e de que não guardei nada. Ainda por cima saíu um programa bem disposto, o que até mim, sujeito bisonho e figura sisuda me espanta. Nela, falo de um livro que escrevi, a biografia de Nathalie Sergueiew. entre outras coisas. Quando saí do estúdio vinha cheio de ideias. Depois o camião da vida e suas obrigações atropelou-me, partindo-me as pernas, e cheguei ao Verão a mancar. Mesmo assim, ainda consegui escrever um livro, de contos lamurientos, naturalmente.
Leslie Howard: um novo livro em Janeiro
Estou este fim de semana a fechá-lo, revendo provas de autor, articulando com o «cartoonista» a versão definitiva das pranchas. É o livro que escrevi sobre a morte do actor Leslie Howard, quando regressava a Inglaterra, depois de uma missão a Portugal e a Espanha, ao serviço da propaganda britânica, patrocinada pelo Bristish Council.
O livro associa o talento de Carlos Barradas a um trabalho meu de redacção do guião da BD e de um texto em que a história é narrada com detalhe e os enigmas que ainda hoje suscita, equacionados. Fecha-o um texto do professor Douglas Wheeler.
O livro associa o talento de Carlos Barradas a um trabalho meu de redacção do guião da BD e de um texto em que a história é narrada com detalhe e os enigmas que ainda hoje suscita, equacionados. Fecha-o um texto do professor Douglas Wheeler.
Costumam perguntar-me como é possível que eu arranje tempo para isto. Respondo: vivendo a vida real não profissional através da escrita, até ao partir da lombada!
Se tudo correr bem, o livro estará nas livrarias no final de Janeiro! É pró menino e prá menina, pró papá e prá avózinha!
Tarrafal: 70 anos depois, o PCP
Não sei como, mas ainda consegui estar ontem, ao fim da tarde, no Centro de Trabalho do Partido Comunista Português, onde as edições «Avante!» lançaram um livro comemorativo dos 70 anos da abertura do Campo Prisional do Tarrafal, para cuja apresentação fui convidado. Sala repleta, a maioria seguramente de militantes do PCP. Escutei com atenção os discursos, sobretudo o de Jerónimo de Sousa, anatemizando o «branqueamento da história» feito por alguns «historiadores», cujos nomes foram ali referidos pelo responsável pela editora. Em tempos estudei o problema do Tarrafal por causa do que publiquei sobre o Cândido de Oliveira, que ali esteve internado. Dei conta disso neste mesmo blog, como pode ser encontrado -» aqui.
O que me fez alguma espécie foi não ter visto nesta edição ali lançada qualquer alusão à prisão de «mestre Cândido» e à sua passagem pelo Tarrafal. Seguramente que poderá ser por ele não ser comunista e a obra ser, no essencial, dedicada à situação dos comunistas e ao seu papel na denúncia do que ali se passava. Mas o que não posso deixar de referir é o facto de, contendo o livro uma cronologia dos principais eventos ocorridos no Campo, e tendo o fundador de «A Bola» chegado ali em 20 de Junho de 1942, nessa cronologia salta-se de Abril de 1942 para Setembro de 1942 e assim nem a sua entrada prisional merece uma palavra de registo.
Cândido, um casapiano que foi inspector dos CTT, escreveu como se sabe, um livro chamado «Pântano da Morte» que é uma denúncia do que se vivia naquele mortífero lugar. Nélida Freire Brito num recentíssimo livro chamado «Tarrafal na memória dos Prisioneiros» cita-o na bibliografia e várias vezes ao longo do texto o seu testemunho.
Como se sabe a sua deportação para o Tarrafal deve-se à sua colaboração com os serviços secretos ingleses do SOE.
Ainda no tempo em que era vivo o Luís Sá, esclarecido militante comunista, lhe perguntei se na rede de anti-fascistas que colaboraram com Londres para preparar, no quadro do SOE, meios clandestinos destinados a enfrentar uma invasão alemã de Portugal não estariam militantes comunistas. Explicou-me que o problema era complexo. Ontem, ao ter ouvido o que ouvi e folheado compreendi que sim. Gostava que alguém mo explicasse. Talvez o Homero Serpa, que escreveu uma biografia do fundador do jornal de que o filho é director, «o jornal de todos os desportos» tenha conseguido perceber. Eu confesso que não.
Ralph Fox: uma verdade pouco nua

No Verão de 1936, Ralph Fox, um fundador do partido comunista britânico, que havia escrito uma biografia de Lénine e outros livros sobre o marxismo, veio a Portugal, a caminho de Espanha, onde se alistaria nas Brigadas Internacionais, contra as forças de Franco. A passagem por Lisboa, que, apesar de ter durado apenas uns dias, daria um livro, que seria editado em 1937, depois da sua morte, que ocorreria nesse mesmo ano. O livro visa mostrar o comprometimento do governo de Oliveira Salazar com os nacionalistas espanhóis e a complacência dos ingleses quanto a tal facto. Pelo caminho fica uma descrição crítica do regime da Ditadura Nacional que nos governava e do próprio país e seus nacionais. Embora o autor refira incidentalmente que tentava descobrir «se os carregamentos de armas continuavam a ocorrer», a verdade é que no livro as referências aos negócios de armamento via Lisboa limitam-se a pouco mais do que conversas ouvidas no bar do Hotel Vitória, então um centro de concentração fascista e hoje, paradoxo do destino, uma das sede do PCP. O título na edição portuguesa é o mesmo da edição original inglesa «Portugal Now». O que está a mais é o subtítulo: «um espião comunista no Estado Novo». Porque sobre espionagem o livro, atraente como todos os da editora Tinta da China, tem nada. Tem ironia, tem inexactidões, tem observações interessantes, outras simplórias, mas merecia uma apresentação que não o desvirtuasse. Como diz o autor, a pretexto da estátua do Eça de Queirós, trata-se de «uma verdade pouco nua».
O Hotel Aviz
Hoje é uma torre horrível, o Centro Comercial Imaviz. Mas já foi em tempos um dos mais belos hotéis de Lisboa, o Hotel Aviz, na Avenida Fontes Pereira de Melo (telefone 48101). Em 1941/42 um cidadão arménio, portador de passaporte diplomático iraniano nº 712, ali residia , onde o Doutor Azeredo Perdigão, então um reputado Advogado comercialista em Lisboa o viria a encontrar, a seu pedido, para benefício diga-se de todos os portugueses, pois dessa relação nasceria a criação da generosa Fundação Gulbenkian, mecenas das artes e da cultura no nosso país. Chamava-se Calouste Gulbenkian.Instalado numa «suite», a sua comitiva integrava Miss Isabelle Theis, secretária (passaporte nº 20328), Helène Wilhelm, empregada de quartos, de nacionalidade francesa, Eugène Bruneau, um «valete» e enfermeiro, de nacionalidade francesa (passaporte nº 763), José Martinez, um correio intérprete, de nacionalidade espanhola (passporte nº 1411) e Mehmed Saradjoglu, motorista de nacionalidade turca (passaport nº 709/105).
O magnate havia deixado para trás, em França, uma vultuosa colecção de objectos de arte de grande valor e procurava no nosso país neutral um ambiente de sossego.
Generoso, havia multiplicado ofertas pecuniárias, entre a quais 50 contos à Faculdade de Direito de Lisboa, para os melhores alunos.
«John Ford»: o cinema no OSS
Sean Aloysius O'Feeney, mais conhecido como John Ford [1895-1973], realizador cinematográfico de nomeada, como uma vasta obra, seis vezes vencedor de prémios da Academia, poucos o sabem, serviu, durante a II Guerra na Reserva Naval. Mas foi ao serviço do OSS, o serviço secreto antecessor da CIA, que realizou vários filmes entre os quais “The Battle of Midway” and “December the 7th.” Filmou no Pacífico, em Burma, na India, e na Normandia. A entrevista sobre a sua acção pode ser encontrada aqui.O barão vermelho que me deixou verde!
Um livro é um torvelinho de afectos. Na ânsia de enriquecer o meu último livro e já na fase da revisão de gralhas, que é aquela em que um autor odeia o que escreveu e quase se pega à pancada com quem lhe sugere mais emendas, escrevi que a minha Lily Sergueiew tinha aprazado uma entrevista em Berlim com um barão, um tal von Richtoffen. Tinha lido isso no livro de viagens que ela escrevera, em 1933, «Mon voyage a pied» e que eu lera linha a linha, como se fizesse, tal como ela, a viagem Paris/Varsóvia a pé. Vai daí nem hesitei: só podia ser Manfred von Richthoffen, o «barão vermelho» o célebre herói da aviação. Crassa estupidez! Este aeronáutico barão morrera a 21 de Abril de 1918. Barão por barão haveria de ser um outro. Felizmente tenho leitores atentos, o que muito de honra. Deram por este gato e darão por outros. Hoje, domingo pela manhã, lá estava eu a conferir na página 142 do livro da minha biografada, fonte originária do erro. Não havia dúvidas. Era mesmo desatenção. O curioso da história é que no meu livro, depois de dar como assente que ela se ia iria encontrar com o aviador, pergunto-me em pé de página porque é que não refere que era o lendário barão vermelho. Pois pudera! O homem já tinha batido a asa. Aos leitores as minhas desculpas. É um pormenor, mas um pormenor irritante. Como dizia o Carlos Pinto Coelho, acontece!O Mundo em Gavetas
Obrigado a todos os que tornaram o livro possível. Obrigado a todos os que estiveram no acto de apresentação e aos que gostariam de ter estado. Obrigado à Liliana por ter tornado «O Mundo em Gavetas» uma realidade.«Uma agente dupla em LIsboa»: missão cumprida!
Enfim, acabou! O livro está pronto e será lançado em Lisboa, no dia 16 de Maio [18:30, na Ordem dos Advogados, no Largo de São Domingos], no Porto no dia 17 [pela mesma hora, no Clube Literário do Porto, na Rua da Alfândega, n.º 22] e em Faro [Clube Farense - Palácio dos Pantojas - R. de Sto. António, 26-28)] no dia 3 de Junho. Pelo meio, fica a Feira do Livro em Lisboa. Quem quiser ter uma ideia do que se trata, tente, aqui. Aguardamos neste momento que nos chegue o primeiro exemplar da tipografia, com a angústia de quem espera não tenha escapado qualquer gralha. Neste momento, de exaustão e satisfação misturadas, acho que deu mais trabalho revê-lo do que escrevê-lo. De qualquer modo, agora, já não há remédio. Em breve aí estará, sujeito à crítica.Os diários de Guy Liddell «on line»
Já me tinha referido aqui à publicação em livro dos «Diários» de Guy Liddell que entre 1939 e 1945 desempenhou funções de Director do MI5. Vejo agora que eles estão on line, em PDF, aqui, publicados por David Irving, que neles trabalhou quando elaborou uma biografia de Winston Churchill. Um contributo muito interessante e sintomática a fonte. Irving é conhecido pelas suas teses «revisionistas», entre as quais a denegação do «Holocausto».
2ª GG: a fita do tempo

Há várias fitas do tempo sobre a Segunda Guerra Mundial. No «Portal da História» está mais uma, em português. Mas há mais. Muitas mais. É a guerra no dia-a-dia.
A retoma do «Lusitânia»
Como já se viu este «blog» articula-se com um outro a que chamei «Lusitânia». Não tem a ver com o navio do mesmo nome, cujo afundamento em 7 de Maio de 1915 é lendário. A ideia inicial era arquivar aí tudo o que pudesse surgir com interesse sobre o tema das informações, da espionagem, das operações especiais. Tudo o que ali se arquiva vai, tal e qual, na língua em que surgem, em citação directa. Claro que o tempo fez-me interomper o registo. Decidi-me este fim-de-semana a retomar o trabalho, talvez por ter estado a chover.A agente «Treasure» finalmente em acção
Finalmente! Entrou na tipografia o original da biografia do livro. Chamar-se-à «Nathalie Sergueiew, Uma agente dupla em Lisboa». O livro narra uma aventura, a sua jovem editora, «O Mundo em Gavetas», é outra. Se tudo correr bem, o lançamento será em meados de Maio. A nossa biografada foi a agente «Treasure» do XX Committee. Esteve em Lisboa em 1944. Em 1933 fizera Paris/Varsória a pé, em 1938, Paris/Líbano de bicicleta. A redacção do livro foi um percurso mais ou menos parecido, em esforço e em duração. Mas, enfim, chegámos.«Glasnot» à americana

Já aqui o tínhamos referido. Documentos que até aqui estavam acessíveis ao público nos Arquivos Nacionais em Washington estão a ser retirados da leitura, no quadro de um memorando secreto cuja implementação data já do tempo da Administração Clinton. 55 000 páginas já foram reclassficadas, muitas referentes ao tempo da Segunda Guerra. O site do «National Security Archive» dá pormenores e publica um fac-simile do memorando, que o próprio site dos NARA também havia editado.OS investigadores que se apressem: a política americana do «glasnot» já conheceu melhores dias.
O agente «Tomé» em Moçambique

Finalmente sabe-se mais sobre Manoel Mesquita dos Santos. De acordo com intercepções ISOS efectuadas às comunicações alemãs, fora descoberto que este jornalista, português, residente no Brasil, havia sido recrutado pela Abwehr, o serviço alemão de informações militares, dirigido pelo almrante Wilhelm Canaris. Fluente em quatro línguas, a sua missão seria infiltrar-se na África do Sul e em Moçambique, para obter informação. Foi, no entanto, capturado em Freetown, onde operou Graham Greene, e transferido para Londres. Interrogado no Campo 020, ficaria detido até ao termo da 2ª Guerra. O seu dossier, aberto em 01.01.42, quando se iniciou a sua vigilância, acaba de ser liberto da lei do segredo. De acordo com o que era até agora conhecido, a sua motivação foi essencialmente pecuniária, pois tinha mulher e dois filhos para sustentar. Recebeu formação no manuseio de tinta invisível no Rio de Janeiro. Já recrutado, embarcou de Lisboa para Lourenço Marques em Abril de 1942. Teria enão trinta e cinco anos. Financiado pelos alemães percorreu grande parte da colónia, contactado as autoridades portuguesas. Ao regressar, foi detido. Internado, foi condenado à pena de morte, mas veria a sua sanção comutada e permanecendo sob prisão. O livro, editado pelo PRO [antecessor dos National Archives] britânico, respeitante ao «Camp 020», onde também foi interrogado Rogério de Menezes, refere já detalhadamente o seu caso. Referências ao contactos do agente romeno pró-nazi Adalberto Wamszer em Moçambique com Mesquita dos Santos, constam já do estudo de Stanley Hilton «Hitler's Secret War in South America» (1939-1945), publicado em 1999 pela University of Louisiana Press, em Baton Rouge. A partir de agora, o estudo das redes do Eixo em Moçambique, controladas do lado alemão por Leopold Werz e na vertente italiana por Umberto Campini pode conhecer inesperados desenvolvimentos. A análise que já efectuámos sobre a actuação do escritor Malcolm Muggeridge, o agente do Mi6 em Lourenço Marques terá que ser retomada. Sir Mug, partiria para a capital laurentina um mês depois do agente «Tomé». Instalar-se-ia no Hotel Polana. Tudo isso é uma outra história, à qual voltaremos aqui, um destes dias, ou numa destas noites.
O Espião alemão na Casa de Goa
Apercebo-me de que o meu livro «O Espião Alemão em Goa» vem referido num estudo publicado no «site» da Casa de Goa, da autoria de Amchea Ganvcheô Iadi. Infelizmente o link para a primeira parte não abre, pelo que apenas está acessível a ligação para a segunda parte do artigo. Os nossos agradecimentos pela referência. Uma bibliografia

A imagem de abertura do «College», confesso, é apetecível. Fica nos EUA. Um dos seus professores, agora jubilado, Ransom Clark, compilou uma bibliografia sobre a 2ª GG, com capítulos dedicados às informações e contra-informações. Vale a pena uma visita, vale a pena arquivar.
Henry Graham Greene, o nosso agente para Portugal

Agradeço à magnífica revista «Mealibra» o ter aceite publicar um artigo que escrevi para comemorar os cem anos do nascimento do escritor Graham Greene. Apresentei-o numa pequena palestra em Sintra, na Casa Museu de Ferreira de Castro, no próprio dia da efeméride. Tive a triste oportunidade de verificar que a nível nacional foi das pouquíssimas coisas que se fizeram para referir tal data. Greene escreveu sobre os serviços secretos, esteve ligado aos serviços secretos. Foi sobre esse seu mundo interior que procurei falar. Permitam-me que arquive aqui o texto.
Se a biografia de uma pessoa se pudesse reduzir simplesmente à sua profissão, diríamos que Henry Graham Greene foi jornalista e foi escritor e que, entre as duas coisas, esteve ligado aos serviços secretos.
Em 1926 era sub-editor do jornal «The Times», de Londres, ao qual chegara com a magra experiência adquirida no ano anterior no «Nottingham Journal».
Três anos depois editaria a sua primeira novela, «The Man Within». Tinha então vinte e cinco anos.
A atracção pela escrita apodera-se, então, dele.
Greene convence o editor Heinemann a garantir-lhe um salário como escritor profissional. Só que os seus livros seguintes são um fracasso, de tal modo que ainda hoje são títulos praticamente ignorados pelo grande público. «The Name of Action» não foi além das 2 000 cópias e «Rumour at Nightfall» ficou-se, pior ainda, pelas 1 200.
Só com «Stanboul Train», editado em 1932, alcançaria um palmarés de alguma respeitabilidade editorial, aproximando-se dos 16 000 exemplares.
O livro narra uma história vivida no Expresso do Oriente, numa viagem até Constantinopla: assassínio, intriga e espionagem misturam-se numa batalha mental que corta a respiração e cria no leitor um sentido de urgência e um tensão perturbadora.
A actividade da escrita é, na vida deste homem, o traço essencial da sua maneira de ser e de um tal modo que praticamente a pessoa e a obra se interligam. Greene escreveu apenas ficção e viveu ficcionalmente.
Quem quisesse escrever a sua biografia encontraria sempre dificuldades de monta, sobretudo no separar a verdade da ilusão.
Ele próprio o reconheceria numa frase sintomática: «se alguém alguma vez tentar escrever uma minha biografia, que complicado que o irá achar e que enganado irá ser».
É neste contexto em que é tão difícil separar a verdade da ficção que procuraremos apreender a sua ligação aos serviços secretos britânicos e, nomeadamente, a sua ligação a Portugal. Continua aqui.
Em 1926 era sub-editor do jornal «The Times», de Londres, ao qual chegara com a magra experiência adquirida no ano anterior no «Nottingham Journal».
Três anos depois editaria a sua primeira novela, «The Man Within». Tinha então vinte e cinco anos.
A atracção pela escrita apodera-se, então, dele.
Greene convence o editor Heinemann a garantir-lhe um salário como escritor profissional. Só que os seus livros seguintes são um fracasso, de tal modo que ainda hoje são títulos praticamente ignorados pelo grande público. «The Name of Action» não foi além das 2 000 cópias e «Rumour at Nightfall» ficou-se, pior ainda, pelas 1 200.
Só com «Stanboul Train», editado em 1932, alcançaria um palmarés de alguma respeitabilidade editorial, aproximando-se dos 16 000 exemplares.
O livro narra uma história vivida no Expresso do Oriente, numa viagem até Constantinopla: assassínio, intriga e espionagem misturam-se numa batalha mental que corta a respiração e cria no leitor um sentido de urgência e um tensão perturbadora.
A actividade da escrita é, na vida deste homem, o traço essencial da sua maneira de ser e de um tal modo que praticamente a pessoa e a obra se interligam. Greene escreveu apenas ficção e viveu ficcionalmente.
Quem quisesse escrever a sua biografia encontraria sempre dificuldades de monta, sobretudo no separar a verdade da ilusão.
Ele próprio o reconheceria numa frase sintomática: «se alguém alguma vez tentar escrever uma minha biografia, que complicado que o irá achar e que enganado irá ser».
É neste contexto em que é tão difícil separar a verdade da ficção que procuraremos apreender a sua ligação aos serviços secretos britânicos e, nomeadamente, a sua ligação a Portugal. Continua aqui.
Salazar e Franco: o encontro secreto
Eram 10 da manhã do dia 10 de Fevereiro de 1942. Ao chegar à Rua da Imprensa à Estrela para iniciar mais um dia habitual de funções, nesses tempos conturbados da II Guerra, o secretário de Oliveira Salazar, constata, perplexo, a ausência do Presidente do Conselho de Ministros. Mas pior: feitos uns contactos entre os círculos que naturalmente deveriam estar a par de qualquer deslocação de Salazar, rapidamente se conclui que ninguém estava prevenido para qualquer eventual saída ou motivo para ausência.
A situação assume foros de paroxismo quando se acrescenta ao rol dos faltosos mais um nome: também o Director da PVDE, o capitão de infantaria Agostinho Lourenço se não achava no seu posto na António Maria Cardoso, nem na residência sita a Avenida Barbosa du Bocage.
Onde estariam todos? Eis a história que conto aqui.
A situação assume foros de paroxismo quando se acrescenta ao rol dos faltosos mais um nome: também o Director da PVDE, o capitão de infantaria Agostinho Lourenço se não achava no seu posto na António Maria Cardoso, nem na residência sita a Avenida Barbosa du Bocage.
Onde estariam todos? Eis a história que conto aqui.
Thomas Harris: o gestor de «Garbo»

Especulou-se sobre o desastre automóvel em que morreu. Protegeu «Kim» Philby e foi amigo de Desmond Bristow. Gerindo o agente «Arabel», criou o célebre «Garbo». Pintor, fazia da espionagem também uma arte.Falar de Tomás Harry é seguramente contar a história do agente catalão Juan Pujol Garcia, cuja carreira ele geriu. Só que o personagem é bem mais rico do que isso e resiste a muitas simplificações, não se livrando porém, como se fosse ele próprio também um objecto estético, à duplicidade das interpretações sobre a verdadeira natureza da sua vida.
Ainda hoje, anos volvidos sobre a sua morte, as suspeitas sobre a lealdade ensombram a sua lenda, havendo quem, nas ligações pessoais comprometedoras que manteve, veja um elemento de ligação à causa soviética à qual foram fiéis muitos dos seus amigos de então.
Citando Anthony Blunt, o jornalista Chapman Pincher, no seu provocante livro «Their trade is treachery», publicado em 1981, imputa-lhe ideias marxistas mas ressalva que, segundo Blunt, ele não seria um agente russo, pelo menos tanto quanto lhe tinha sido dado observar.
Mas já nas memórias que, sob o título «A Game of Moles», editou em 1993, Desmond Bristow citaria a sua própria mulher como partilhando da convicção de que tal ligação era real e demonstrada pelos factos.
Mas é na estética e na arte das sombras e da ambiguidade que se revêm os traços essenciais da sua personalidade multiforme, que Philby consideraria ser a de um espírito intuitivo brilhante. Continua aqui.
Quando a URSS rearmou o III Reich
O Tratado de Versalhes de 1918, que pôs termo à Primeira Grande Guerra, proibiu o rearmamento alemão. Em 1939 a Alemanha invadia o Mundo. Como foi possível organizar esse Exército? Treinando-o secretamente na União Soviética. É nesse contexto que se passará o capítulo de um livro que, atrasado, estou a acabar. Tudo explica que no dia 23 de Agosto de 1939, Vyacheslav Molotov, Comisário do Povo para os Negócios Estrangeiros da comunista URSS assine com Joachim von Ribbentrop, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da nazi Alemanha, o Pacto Germano Soviético de Não Agressão. É o momento que os pseudo-historiadores maniquístas, para quem só há o branco e o preto, fingem ignorar. Mas a foto aí está. Por detrás de todos. Stalin observa, sorridente. Pendurado já na parede, em retrato, Lénine, simboliza aquilo que tudo sempre foi: ou não foram os alemães que financiaram a revolução bolchevique que levou os sovietes ao poder, criando aquilo que Stefan Zweig chamou de o novo czarismo. Ou não foi ele quem, em 1917, quando a Alemanha abriu as hostilidades com a Primeira-Guerra Mundial, conduziu à assinatura do Tratado de Brest-Litovsk, o da vergonhosa paz separada?A Minox
Quando em 1938 o engenheiro letão Walter Zapp inventou a mini câmara de fotografar Minox estava longe de supor que ia criar um artefacto fundamental para o mundo da espionagem. O seu objectivo era então criar apenas um aparelho comercial que, pela sua pequenez e leveza, pudesse ser transportado para todo o lado, facilitando a vida aos fotógrafos amadores. Para se compreender o avanço que significou uma tal máquina é necessário ter uma ideia do que eram em tamanho e modo de funcionamento as máquinas fotográficas de então. Era o tempo do chamado «caixote», grande no tamanho e na complicação. Tecnicamente o problema de Zapp e da sua equipe era então o resolver alguns problemas mecânicos e outros ópticos para fabricar assim a mais pequena câmara do mundo. Primeiro, urgia conseguir a miniaturização do filme, a um quarto do tamanho do clássico 35 milímetros usado em fotografia. Reduzida em dimensão a película era, além disso, alimentada na máquina através de um conjunto de dois carretos fechados, um deles para receber a película já exposta, evitando assim as complicações da introdução e da extracção do rolo e os erros de colocação do mesmo. Depois, importava maximizar a óptima focagem com a melhor nitidez, tudo a partir de lentes de mínimas dimensões. Leve, nítida, fácil e produtiva a Minox superava a sua época. Conseguido este invulgar artefacto, cedo a espionagem se interessou por tal aparelho. Ele permitir-lhe-ia resolver um dos mais sérios problemas que então tinham de enfrentar: o copiar documentos secretos que não poderiam ser directamente subtraídos dos arquivos. Continua aqui.
Caixilhos, placards e areia nos sapatos
Foi num destes últimos fins de semana. Consegui, nem sei à custa de que milagre dar uma escapadela a Londres. No próprio dia da chegada, uma sexta-feira à tarde, fria e chuviscosa, eis, uma vez mais, o Imperial War Museum. Alberga agora uma exposição sobre o Lawrence da Arábia, aquele cujo filme com Peter O'Toole no principal papel, faz sair de lá, ao fim de 216 minutos, com os sapatos cheios de areia. Mas o nosso objectivo era outro. Quem nos visse a mirar como se penduram os «placards» na parede pensar-nos-ia tolinhos. Esperem para ver. O propósito da viagem era ir rever a exposição permanente sobre a guerra secreta e dela, mais propriamente, os caixilhos, as luzes e os placards!. Para quê, é segredo, parte de uma guerra secreta! Quem quiser mais sobre o Lawrence, tente aqui. Quanto ao resto, é só aguardar.
FOIA em regressão

Há neste momento uma polémica nos EUA a propósito da reclassificação de documentos que estavam libertos do sigilo, através do «Freedom of Information Act» [FOIA] e por isso disponíveis para a consulta pública nos National Archives. A propósito disso, alguém escreveu, num forum do OSS o seguinte trecho: «The CIA took 7 years to declassify a one page OSS report on "German artificial blood substitutes" written in 1945». Elucidativo e preocupante para o trabalho dos investigadores.
Germanofilia da aristocracia britânica

Chamam-se National Archives, antes era o Public Record Office. Ficam em Kew Gardens, do outro lado da pequena estação de caminho de ferro que nos leva de Londres ao belíssimos jardins com o mesmo nome. Periodicamente libertam da lei do segredo documentos até aí classificados. Soube hoje, domingo de manhã, que vai sair mais uma leva, desta feita sobre a investigação feita pelo MI5 às simpatias nazis da aristocracia britânica. A notícia vem num jornal escocês, mas a restante imprensa deve fazer-se eco disso. O site dos arquivos britânicos é que ainda não referia nada. O tema é candente. Quem viu o filme «Os despojos do dia», com Anthony Hopkins, sabe que ele é disso que trata. A história inicial está escrita num livro de Kazuo Ishiguro, traduzido em português. Num artigo que pubiquei há anos em Cascais e que talvez dê um livro e de que, entretanto, colocarei aqui um resumo, a propósito da passagem do Duque de Windsor pela casa do banqueiro Ricardo Espírito Santo na Boca do Inferno, referi o assunto da germanofilia da nobreza britânica.Claro que a mãe do duque, Victoria Mary de Teck, era de origem alemã, o que talvez explique muita coisa. Mas isso é para mais tarde, havendo vagar.
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