24LAND

O conteúdo do presente blog foi hoje [17.02.2018] incorporado no blog 24Land [ver aqui] que mantenho sob o mesmo tema, escrito em língua inglesa. O objectivo é centralizar informação e tentar que ela tenha maior alcance.


Ainda Howard

Obrigado à Teresa Guerreiro, infatigável coleccionadora de fotografias, o ter encontrado este momento em que o Século Ilustrado recordava que há trinta anos o actor Leslie Howard havia estado em Portugal, a proferir conferências. Sobre isso e sobre a circunstância de, ao haver regressado a casa, ter encontrado a morte, pois o avião onde viajava foi atacado pela Luftwaffe, escrevi um livro. Nele contámos a história em texto e em banda desenhada, esta com o traço do Carlos Barradas. Na foto, à direita, o seu empresário Alfred Chenalls, que também morreria na fatídica viagem. Treze passageiros a bordo, número aziago. Depois de ter escrito o livro encontrei ainda, saudosa, uma cativante figura de mulher a quem ficou, numa solitária fotografia, a recordação do momento grato dessa sua passagem por Lisboa.

Casino Royale

No dia 28 de Maio comemoram-se cem anos que nasceu Ian Lancaster Fleming. Oficial dos serviços de informações da Marinha Britânica, o NID, esteve em Portugal, a acompanhar o almirante John Godfrey, a caminho da América, e participou na implantação de algumas operações secretas que envolvem a área ibérica.
Retirado do serviço militar, iniciaria aquilo que o levaria a figura de renome mundial, a actividade de escritor. Em 1953 publicaria Casino Royale, uma novela de suspense, em que o agente comunista Le Chiffre joga a partida da sua vida, na ânsia de poder recuperar os fundos do Partido, sem o que estaria à mercê do SMERSH, o cruel serviço de execuções de Moscovo, resopnsável pelo assassinato de Trotsky no México.
Redigido no ambiente da guerra-fria, na Jamaica, a cena do livro inspira-se numa passagem do autor por Lisboa, diz o site oficial do MI6. No livro a cena ocorre num casino que Fleming situa em Royale-les-Eaux, junto ao Somme. É aí que se dá a batalha decisiva entre os dois agentes, 007 a ter de vencer entre «um murmúrio de amor, um murmúrio de ódio».
É sobre isto que, por mais fantástico que pareça, estou a terminar um pequeno livro; a terminar ou a começar, conforme a perspectiva das coisas. Estará pronto a tempo.

A casa da Laura


Quando eu escrevi o guião para o livro sobre a morte do actor Leslie Howard senti uma dificuldade. Sabia que uns dias antes de embarcar, em Lisboa, para o fatídico voo em que encontraria a morte, Howard tinha jantado em Cascais com o seu amigo Ralph Chennals, no restaurante Casa da Laura.
Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:
o Carlos Barradas, autor das pranchas, desenhou a cena como se vista em plano picado, do alto.

Ora não é que o destino me fez encontrar agora, precisamente neste blog, aquilo que eu nem sonhava poder vir a encontrar?

Uma carta num livro

Ao escrever este livro apaixonei-me por esta mulher. Morreu aos trinta e oito anos, depois de uma vida em que viveu múltiplas vidas. Por causa dela fui três vezes a Bristol, em busca de uma sombra sua, por causa dela calcorreei as ruas de Londres para encontrar a casa onde viveu, e que uma bomba na Segunda Guerra arrasou, vagueei, tentando senti-la, pela Praça da Ópera em Paris, local para onde se exilaram os pais, vindos da Rússia czarista. Estive em São Petersburgo, local onde nasceu em 1912, com ela no pensamento. Ao descer em Zurique uma pequena rua empedrada entrei numa livraria de livros russos, perdi-me pelo incompreensível cirícilo, marquei encontro com uma desconhecida em frente ao Crédit, eu, qual candidato a namorado, com um livro do Graham Greene, ostensivo, a assinalar que era eu, ela, tímida, a dar-me tudo o que sabia sobre a honra perdida da Pátria de Puskin, uma lágrima impossível de suster ao mostrar-me uma entrevista da filha do general Dénikin.
Segui todos os seus passos, a viagem a pé Paris/Varsóvia, em 1933, com vinte e um anos de entusiasmo, a viagem de bicicleta Paris/Líbano, em 1938, uma coragem inaudita, sempre a solidão a persegui-la, a arte e a escrita como sublimação. Vi-a, como se a tivesse visto, a subir a pé, em 1943, a Avenida da Liberdade em Lisboa, agente dupla ao serviço da causa aliada.
Encontrei-lhe, hoje nonagenário, um indiferente marido, num lugar perdido no Massachusetts. Li as cartas que escreveu, doente, a vida a escoar-se-lhe e ainda movendo-a uma raiva gigantesca de viver.
Por causa desta mulher escrevi um livro que é uma despercebida carta de amor ao que de melhor pode haver numa mulher. Hoje atrevo-me a dizê-lo, talvez pela razão ridícula de ser o dia da mulher, que isso me dói, por ela. Talvez não devesse dizê-lo. Mas é-me impossível evitar ter acordado com isso no pensamento.

Uma aventura na Praia dos Coelhos



É já na sexta-feira, em Setúbal, na Biblioteca Municipal -Av. Luísa Todi, nº 188, pelas 18:00, uma conversa sobre o «Ostro», o espião checo pró-Eixo que viveu em Portugal, anos seguidos, a coberto de uma firma comercial de import-export: Paul Fidrmuc e «Uma Aventura na Praia dos Coelhos».

No mesmo dia, sai um livro, um pequeno livro que um milagre permitiu que eu conseguisse escrever. Tinha prometido aqui, agora cumpro!

A Polónia, nação mártir



A Polónia foi o primeiro país a enfrentar a Guerra decretada por Adolph Hitler. Comemora hoje, dia 1 de Setembro, 68 anos desse trágico acontecimento. Dias depois o país era invadido pela URSS. A Rádio Polaca dedicou uma emissão especial ao assunto. O martírio deste povo e o seu inaudito sofrimento não pode ser esquecido.

Camuflagem aérea

Uma das artes essenciais para a guerra é a dissimulação, sob todas as formas. Uma delas é a camuflagem. Os engenheiros da Lockheed aprenderam como. Veja-se aqui como esta fábrica de aviões foi escondida, para evitar ataques japoneses.

O sofrimento silenciado

O livro promete ser escandaloso ao falar do sofrimento dos alemães após a derrota em 1945. Tema tabu, pois apenas um dos lados era suposto ter sofrido atrocidades. Da recensão feita pelo Washington Post retiro: «During the forced expulsions of about 12 million Germans from the Reich's eastern provinces, mostly from territory that became part of the newly reconstituted states of Poland and Czechoslovakia, about 2 million died». Quando a História é escrita pelos vencedores, a verdade dos vencidos leva tempo a ser admitida, mesmo aqueles que estiveram em paz com a guerra.

von Stauffenberg


Vai ser rodado um filme sobre o atentado contra Adolph Hitler perpetrado por um grupo de resistentes de que fazia parte o Conde Claus Philipp Maria Schenk von Stauffenberg.
A polémica estalou porque foi escolhido para o papel o actor Tom Cruise, conhecido pelas suas ligações à igreja cientologista.
Como já referi aqui, a propósito de Graham Greene, sucedeu que «Otto John, que foi advogado da Lufthansa em Lisboa que, estando implicado, conjuntamente com o conde Stauffenberg, na conspiração para assassinar Adolph Hitler, se refugiou em Lisboa, de onde foi exfiltrado através da actuação de Rita Winsor com a insólita conivência do capitão Catela da PVDE, que, para esse efeito o prendeu no Aljube, protegendo-o dos agentes da Gestapo».
Estranha ligação: um dirigente a PVDE, ajudado por uma agente do Mi6, a dar saída a um assassino de Hitler! Isto sim é polémica!

007: Ian Fleming para o ano!

Segundo anuncia o «Times» de Londres, em Março do próximo ano o Imperial War Museum albergará uma exposição sobre Ian Fleming, mais concretamente sobre o seu principal personagem James Bond. Ben Macintyre escreve actualmente o livro que acompanhará a exposição, a ser editado pela Bloomsbury, sob o título «For your eyes Only».
Ian Fleming trabalhou durante a 2ª Guerra no Departamento Naval da Marinha, sector de informações. Reformado escreveu em 1952 a sua primeira novela sobre espionagem, «Casino Royale». 12 anos depois faleceria tendo deixado catorze novelas em que o principal personagem é o agente «007».
Há quem suponha que a história inicial foi inspirada na passagem de Fleming por Lisboa, onde, na companhia do almirante Godfrey, se dirigiu à América. Não parece que o ambiente sombrio do Casino Estoril, que então visitou, o tenha grandemente inspirado.
Personagem mais denso do que se pode presumir ante os filmes que foram rodados a partir dos seus escritos «ainda estudante na Universidade de Genève, por exemplo, Fleming correspondeu-se com o filósofo e cientista Carl Gustav Jung, de quem obteve, aliás, em 29 de Novembro de 1929, uma autorização escrita para traduzir um discurso sobre o alquimista Paracelso (de seu nome aliás Aureolus Philippus Theofrastus Bombastus von Hohenheim, nascido em 1493, na Suiça)». Escrevi-o no meu primeiro livro sobre esta temática, «A Lusitânia dos Espiões», felizmente fora do mercado!
P. S. Quem quiser muito sobre 007, veja-o aqui!

Documentos soviéticos desclassificados

De acordo com notícias divulgadas pela imprensa, o Ministério da Defesa russo desclassificou documentos referentes ao Exército Vermelho e à Marinha soviética referente aos anos de 1941-1945. Trata-se de documentos conservados no Arquivo Central do Ministério, em Podolsk, onde se conservam cerca de quatro milhões de espécimes. Igualmente serão libertos documentos do Arquivo Naval Central em Gatchina e do Arquivo Médico Militar em São Petersburgo.
A abertura progressiva dos arquivos russos é uma realidade, embora por vezes aparente para o investigador ocidental.
Na óptica russa a libertação da informação é apresentada na perspectiva dos seus próprios interesses. Não admira que a informação seja divulgada como permitindo a reconstituição do número de baixas soviéticas durante a Segunda Guerra, estimado em 26.600 milhões, including 8.660 milhões no sector militar.

«Ostro» em Setúbal

Os meus trabalhos de investigação sobre a guerra secreta não estão parados, mas baralharam-se um pouco desde a edição do último livro. Estou a recomeçá-los, com maior sistematização. A minha próxima iniciativa vai ser uma conferência em Setúbal sobre o agente checo Paul Fidrmuc, cognome «Ostro». O episódio que irei contar sucedeu na Praia dos Coelhos. Entretanto hesito a que livro dedicar-me. Alguma coisa sairá.

Câmara Clara

Reencontrei no arquivo da RTP2 o vídeo de uma entrevista [abre em Real Player] dada em 16 de Fevereiro de 2007 a Paula Moura Pinheiro, em conjunto com o Francisco Teixeira da Mota. Vim fixá-la aqui, uns dirão por vaidade, outros denunciarão que por propaganda, uns poucos sem perceberem por quê. A verdade é esta: é para não a perder, como sucede a tanta coisa que escrevi e programas a que fui e de que não guardei nada. Ainda por cima saíu um programa bem disposto, o que até mim, sujeito bisonho e figura sisuda me espanta. Nela, falo de um livro que escrevi, a biografia de Nathalie Sergueiew. entre outras coisas. Quando saí do estúdio vinha cheio de ideias. Depois o camião da vida e suas obrigações atropelou-me, partindo-me as pernas, e cheguei ao Verão a mancar. Mesmo assim, ainda consegui escrever um livro, de contos lamurientos, naturalmente.

Leslie Howard: um novo livro em Janeiro


Estou este fim de semana a fechá-lo, revendo provas de autor, articulando com o «cartoonista» a versão definitiva das pranchas. É o livro que escrevi sobre a morte do actor Leslie Howard, quando regressava a Inglaterra, depois de uma missão a Portugal e a Espanha, ao serviço da propaganda britânica, patrocinada pelo Bristish Council.
O livro associa o talento de Carlos Barradas a um trabalho meu de redacção do guião da BD e de um texto em que a história é narrada com detalhe e os enigmas que ainda hoje suscita, equacionados. Fecha-o um texto do professor Douglas Wheeler.
Costumam perguntar-me como é possível que eu arranje tempo para isto. Respondo: vivendo a vida real não profissional através da escrita, até ao partir da lombada!
Se tudo correr bem, o livro estará nas livrarias no final de Janeiro! É pró menino e prá menina, pró papá e prá avózinha!

Tarrafal: 70 anos depois, o PCP

Não sei como, mas ainda consegui estar ontem, ao fim da tarde, no Centro de Trabalho do Partido Comunista Português, onde as edições «Avante!» lançaram um livro comemorativo dos 70 anos da abertura do Campo Prisional do Tarrafal, para cuja apresentação fui convidado. Sala repleta, a maioria seguramente de militantes do PCP. Escutei com atenção os discursos, sobretudo o de Jerónimo de Sousa, anatemizando o «branqueamento da história» feito por alguns «historiadores», cujos nomes foram ali referidos pelo responsável pela editora. Em tempos estudei o problema do Tarrafal por causa do que publiquei sobre o Cândido de Oliveira, que ali esteve internado. Dei conta disso neste mesmo blog, como pode ser encontrado -» aqui.
O que me fez alguma espécie foi não ter visto nesta edição ali lançada qualquer alusão à prisão de «mestre Cândido» e à sua passagem pelo Tarrafal. Seguramente que poderá ser por ele não ser comunista e a obra ser, no essencial, dedicada à situação dos comunistas e ao seu papel na denúncia do que ali se passava. Mas o que não posso deixar de referir é o facto de, contendo o livro uma cronologia dos principais eventos ocorridos no Campo, e tendo o fundador de «A Bola» chegado ali em 20 de Junho de 1942, nessa cronologia salta-se de Abril de 1942 para Setembro de 1942 e assim nem a sua entrada prisional merece uma palavra de registo.
Cândido, um casapiano que foi inspector dos CTT, escreveu como se sabe, um livro chamado «Pântano da Morte» que é uma denúncia do que se vivia naquele mortífero lugar. Nélida Freire Brito num recentíssimo livro chamado «Tarrafal na memória dos Prisioneiros» cita-o na bibliografia e várias vezes ao longo do texto o seu testemunho.
Como se sabe a sua deportação para o Tarrafal deve-se à sua colaboração com os serviços secretos ingleses do SOE.
Ainda no tempo em que era vivo o Luís Sá, esclarecido militante comunista, lhe perguntei se na rede de anti-fascistas que colaboraram com Londres para preparar, no quadro do SOE, meios clandestinos destinados a enfrentar uma invasão alemã de Portugal não estariam militantes comunistas. Explicou-me que o problema era complexo. Ontem, ao ter ouvido o que ouvi e folheado compreendi que sim. Gostava que alguém mo explicasse. Talvez o Homero Serpa, que escreveu uma biografia do fundador do jornal de que o filho é director, «o jornal de todos os desportos» tenha conseguido perceber. Eu confesso que não.

Ralph Fox: uma verdade pouco nua


No Verão de 1936, Ralph Fox, um fundador do partido comunista britânico, que havia escrito uma biografia de Lénine e outros livros sobre o marxismo, veio a Portugal, a caminho de Espanha, onde se alistaria nas Brigadas Internacionais, contra as forças de Franco. A passagem por Lisboa, que, apesar de ter durado apenas uns dias, daria um livro, que seria editado em 1937, depois da sua morte, que ocorreria nesse mesmo ano. O livro visa mostrar o comprometimento do governo de Oliveira Salazar com os nacionalistas espanhóis e a complacência dos ingleses quanto a tal facto. Pelo caminho fica uma descrição crítica do regime da Ditadura Nacional que nos governava e do próprio país e seus nacionais. Embora o autor refira incidentalmente que tentava descobrir «se os carregamentos de armas continuavam a ocorrer», a verdade é que no livro as referências aos negócios de armamento via Lisboa limitam-se a pouco mais do que conversas ouvidas no bar do Hotel Vitória, então um centro de concentração fascista e hoje, paradoxo do destino, uma das sede do PCP. O título na edição portuguesa é o mesmo da edição original inglesa «Portugal Now». O que está a mais é o subtítulo: «um espião comunista no Estado Novo». Porque sobre espionagem o livro, atraente como todos os da editora Tinta da China, tem nada. Tem ironia, tem inexactidões, tem observações interessantes, outras simplórias, mas merecia uma apresentação que não o desvirtuasse. Como diz o autor, a pretexto da estátua do Eça de Queirós, trata-se de «uma verdade pouco nua».

O Hotel Aviz

Hoje é uma torre horrível, o Centro Comercial Imaviz. Mas já foi em tempos um dos mais belos hotéis de Lisboa, o Hotel Aviz, na Avenida Fontes Pereira de Melo (telefone 48101). Em 1941/42 um cidadão arménio, portador de passaporte diplomático iraniano nº 712, ali residia , onde o Doutor Azeredo Perdigão, então um reputado Advogado comercialista em Lisboa o viria a encontrar, a seu pedido, para benefício diga-se de todos os portugueses, pois dessa relação nasceria a criação da generosa Fundação Gulbenkian, mecenas das artes e da cultura no nosso país. Chamava-se Calouste Gulbenkian.
Instalado numa «suite», a sua comitiva integrava Miss Isabelle Theis, secretária (passaporte nº 20328), Helène Wilhelm, empregada de quartos, de nacionalidade francesa, Eugène Bruneau, um «valete» e enfermeiro, de nacionalidade francesa (passaporte nº 763), José Martinez, um correio intérprete, de nacionalidade espanhola (passporte nº 1411) e Mehmed Saradjoglu, motorista de nacionalidade turca (passaport nº 709/105).
O magnate havia deixado para trás, em França, uma vultuosa colecção de objectos de arte de grande valor e procurava no nosso país neutral um ambiente de sossego.
Generoso, havia multiplicado ofertas pecuniárias, entre a quais 50 contos à Faculdade de Direito de Lisboa, para os melhores alunos.
O Hotel tem uma história lligada à espionagem e à passagem de personalidades pelo nosso país durante a Segunda Guerra. Ao passar no local onde esteve, é coisa que nem se adivinha. Um dia diremos o que ali sucedeu.

«John Ford»: o cinema no OSS

Sean Aloysius O'Feeney, mais conhecido como John Ford [1895-1973], realizador cinematográfico de nomeada, como uma vasta obra, seis vezes vencedor de prémios da Academia, poucos o sabem, serviu, durante a II Guerra na Reserva Naval. Mas foi ao serviço do OSS, o serviço secreto antecessor da CIA, que realizou vários filmes entre os quais “The Battle of Midway” and “December the 7th.” Filmou no Pacífico, em Burma, na India, e na Normandia. A entrevista sobre a sua acção pode ser encontrada aqui.

O barão vermelho que me deixou verde!


Um livro é um torvelinho de afectos. Na ânsia de enriquecer o meu último livro e já na fase da revisão de gralhas, que é aquela em que um autor odeia o que escreveu e quase se pega à pancada com quem lhe sugere mais emendas, escrevi que a minha Lily Sergueiew tinha aprazado uma entrevista em Berlim com um barão, um tal von Richtoffen. Tinha lido isso no livro de viagens que ela escrevera, em 1933, «Mon voyage a pied» e que eu lera linha a linha, como se fizesse, tal como ela, a viagem Paris/Varsóvia a pé. Vai daí nem hesitei: só podia ser Manfred von Richthoffen, o «barão vermelho» o célebre herói da aviação. Crassa estupidez! Este aeronáutico barão morrera a 21 de Abril de 1918. Barão por barão haveria de ser um outro. Felizmente tenho leitores atentos, o que muito de honra. Deram por este gato e darão por outros. Hoje, domingo pela manhã, lá estava eu a conferir na página 142 do livro da minha biografada, fonte originária do erro. Não havia dúvidas. Era mesmo desatenção. O curioso da história é que no meu livro, depois de dar como assente que ela se ia iria encontrar com o aviador, pergunto-me em pé de página porque é que não refere que era o lendário barão vermelho. Pois pudera! O homem já tinha batido a asa. Aos leitores as minhas desculpas. É um pormenor, mas um pormenor irritante. Como dizia o Carlos Pinto Coelho, acontece!

O Mundo em Gavetas

Obrigado a todos os que tornaram o livro possível. Obrigado a todos os que estiveram no acto de apresentação e aos que gostariam de ter estado. Obrigado à Liliana por ter tornado «O Mundo em Gavetas» uma realidade.

«Uma agente dupla em LIsboa»: missão cumprida!

Enfim, acabou! O livro está pronto e será lançado em Lisboa, no dia 16 de Maio [18:30, na Ordem dos Advogados, no Largo de São Domingos], no Porto no dia 17 [pela mesma hora, no Clube Literário do Porto, na Rua da Alfândega, n.º 22] e em Faro [Clube Farense - Palácio dos Pantojas - R. de Sto. António, 26-28)] no dia 3 de Junho. Pelo meio, fica a Feira do Livro em Lisboa. Quem quiser ter uma ideia do que se trata, tente, aqui. Aguardamos neste momento que nos chegue o primeiro exemplar da tipografia, com a angústia de quem espera não tenha escapado qualquer gralha. Neste momento, de exaustão e satisfação misturadas, acho que deu mais trabalho revê-lo do que escrevê-lo. De qualquer modo, agora, já não há remédio. Em breve aí estará, sujeito à crítica.

Os diários de Guy Liddell «on line»

Já me tinha referido aqui à publicação em livro dos «Diários» de Guy Liddell que entre 1939 e 1945 desempenhou funções de Director do MI5. Vejo agora que eles estão on line, em PDF, aqui, publicados por David Irving, que neles trabalhou quando elaborou uma biografia de Winston Churchill. Um contributo muito interessante e sintomática a fonte. Irving é conhecido pelas suas teses «revisionistas», entre as quais a denegação do «Holocausto».

2ª GG: a fita do tempo


Há várias fitas do tempo sobre a Segunda Guerra Mundial. No «Portal da História» está mais uma, em português. Mas há mais. Muitas mais. É a guerra no dia-a-dia.

A retoma do «Lusitânia»

Como já se viu este «blog» articula-se com um outro a que chamei «Lusitânia». Não tem a ver com o navio do mesmo nome, cujo afundamento em 7 de Maio de 1915 é lendário. A ideia inicial era arquivar aí tudo o que pudesse surgir com interesse sobre o tema das informações, da espionagem, das operações especiais. Tudo o que ali se arquiva vai, tal e qual, na língua em que surgem, em citação directa. Claro que o tempo fez-me interomper o registo. Decidi-me este fim-de-semana a retomar o trabalho, talvez por ter estado a chover.

A agente «Treasure» finalmente em acção

Finalmente! Entrou na tipografia o original da biografia do livro. Chamar-se-à «Nathalie Sergueiew, Uma agente dupla em Lisboa». O livro narra uma aventura, a sua jovem editora, «O Mundo em Gavetas», é outra. Se tudo correr bem, o lançamento será em meados de Maio. A nossa biografada foi a agente «Treasure» do XX Committee. Esteve em Lisboa em 1944. Em 1933 fizera Paris/Varsória a pé, em 1938, Paris/Líbano de bicicleta. A redacção do livro foi um percurso mais ou menos parecido, em esforço e em duração. Mas, enfim, chegámos.

«Glasnot» à americana


Já aqui o tínhamos referido. Documentos que até aqui estavam acessíveis ao público nos Arquivos Nacionais em Washington estão a ser retirados da leitura, no quadro de um memorando secreto cuja implementação data já do tempo da Administração Clinton. 55 000 páginas já foram reclassficadas, muitas referentes ao tempo da Segunda Guerra. O site do «National Security Archive» dá pormenores e publica um fac-simile do memorando, que o próprio site dos NARA também havia editado.OS investigadores que se apressem: a política americana do «glasnot» já conheceu melhores dias.

O agente «Tomé» em Moçambique


Finalmente sabe-se mais sobre Manoel Mesquita dos Santos. De acordo com intercepções ISOS efectuadas às comunicações alemãs, fora descoberto que este jornalista, português, residente no Brasil, havia sido recrutado pela Abwehr, o serviço alemão de informações militares, dirigido pelo almrante Wilhelm Canaris. Fluente em quatro línguas, a sua missão seria infiltrar-se na África do Sul e em Moçambique, para obter informação. Foi, no entanto, capturado em Freetown, onde operou Graham Greene, e transferido para Londres. Interrogado no Campo 020, ficaria detido até ao termo da 2ª Guerra. O seu dossier, aberto em 01.01.42, quando se iniciou a sua vigilância, acaba de ser liberto da lei do segredo. De acordo com o que era até agora conhecido, a sua motivação foi essencialmente pecuniária, pois tinha mulher e dois filhos para sustentar. Recebeu formação no manuseio de tinta invisível no Rio de Janeiro. Já recrutado, embarcou de Lisboa para Lourenço Marques em Abril de 1942. Teria enão trinta e cinco anos. Financiado pelos alemães percorreu grande parte da colónia, contactado as autoridades portuguesas. Ao regressar, foi detido. Internado, foi condenado à pena de morte, mas veria a sua sanção comutada e permanecendo sob prisão. O livro, editado pelo PRO [antecessor dos National Archives] britânico, respeitante ao «Camp 020», onde também foi interrogado Rogério de Menezes, refere já detalhadamente o seu caso. Referências ao contactos do agente romeno pró-nazi Adalberto Wamszer em Moçambique com Mesquita dos Santos, constam já do estudo de Stanley Hilton «Hitler's Secret War in South America» (1939-1945), publicado em 1999 pela University of Louisiana Press, em Baton Rouge. A partir de agora, o estudo das redes do Eixo em Moçambique, controladas do lado alemão por Leopold Werz e na vertente italiana por Umberto Campini pode conhecer inesperados desenvolvimentos. A análise que já efectuámos sobre a actuação do escritor Malcolm Muggeridge, o agente do Mi6 em Lourenço Marques terá que ser retomada. Sir Mug, partiria para a capital laurentina um mês depois do agente «Tomé». Instalar-se-ia no Hotel Polana. Tudo isso é uma outra história, à qual voltaremos aqui, um destes dias, ou numa destas noites.

O Espião alemão na Casa de Goa

Apercebo-me de que o meu livro «O Espião Alemão em Goa» vem referido num estudo publicado no «site» da Casa de Goa, da autoria de Amchea Ganvcheô Iadi. Infelizmente o link para a primeira parte não abre, pelo que apenas está acessível a ligação para a segunda parte do artigo. Os nossos agradecimentos pela referência.

Uma bibliografia


A imagem de abertura do «College», confesso, é apetecível. Fica nos EUA. Um dos seus professores, agora jubilado, Ransom Clark, compilou uma bibliografia sobre a 2ª GG, com capítulos dedicados às informações e contra-informações. Vale a pena uma visita, vale a pena arquivar.

Henry Graham Greene, o nosso agente para Portugal


Agradeço à magnífica revista «Mealibra» o ter aceite publicar um artigo que escrevi para comemorar os cem anos do nascimento do escritor Graham Greene. Apresentei-o numa pequena palestra em Sintra, na Casa Museu de Ferreira de Castro, no próprio dia da efeméride. Tive a triste oportunidade de verificar que a nível nacional foi das pouquíssimas coisas que se fizeram para referir tal data. Greene escreveu sobre os serviços secretos, esteve ligado aos serviços secretos. Foi sobre esse seu mundo interior que procurei falar. Permitam-me que arquive aqui o texto.

Se a biografia de uma pessoa se pudesse reduzir simplesmente à sua profissão, diríamos que Henry Graham Greene foi jornalista e foi escritor e que, entre as duas coisas, esteve ligado aos serviços secretos.
Em 1926 era sub-editor do jornal «The Times», de Londres, ao qual chegara com a magra experiência adquirida no ano anterior no «Nottingham Journal».
Três anos depois editaria a sua primeira novela, «The Man Within». Tinha então vinte e cinco anos.
A atracção pela escrita apodera-se, então, dele.
Greene convence o editor Heinemann a garantir-lhe um salário como escritor profissional. Só que os seus livros seguintes são um fracasso, de tal modo que ainda hoje são títulos praticamente ignorados pelo grande público. «The Name of Action» não foi além das 2 000 cópias e «Rumour at Nightfall» ficou-se, pior ainda, pelas 1 200.
Só com «Stanboul Train», editado em 1932, alcançaria um palmarés de alguma respeitabilidade editorial, aproximando-se dos 16 000 exemplares.
O livro narra uma história vivida no Expresso do Oriente, numa viagem até Constantinopla: assassínio, intriga e espionagem misturam-se numa batalha mental que corta a respiração e cria no leitor um sentido de urgência e um tensão perturbadora.
A actividade da escrita é, na vida deste homem, o traço essencial da sua maneira de ser e de um tal modo que praticamente a pessoa e a obra se interligam. Greene escreveu apenas ficção e viveu ficcionalmente.
Quem quisesse escrever a sua biografia encontraria sempre dificuldades de monta, sobretudo no separar a verdade da ilusão.
Ele próprio o reconheceria numa frase sintomática: «se alguém alguma vez tentar escrever uma minha biografia, que complicado que o irá achar e que enganado irá ser».
É neste contexto em que é tão difícil separar a verdade da ficção que procuraremos apreender a sua ligação aos serviços secretos britânicos e, nomeadamente, a sua ligação a Portugal. Continua aqui.