Inaugurou-se, como aqui informei, em 25 de Outubro de 2008, uma exposição. Terminará, como aqui se anuncia, amanhã. Foi um esforço pelo qual estou grato aos que o proporcionaram, à vida por ter-me permitido. Em Portugal não existiu nada de semelhante. Não é que tenha grande importância. É só por ter sido uma pequena coisa que não havia. Aqui fica: obrigado, também àqueles a quem já não posso dizê-lo pessoalmente.
00Fleming: crítica a um crítico
Para que quem tiver lido a crítica e quiser ficar esclarecido, aqui vai o contraditório que espero a publicação em causa garanta. Como é mensal, levará um mês a efectivar-se, a acontecer.
«Vejo na página 66 da revista Os Meus Livros uma irónica contradição entre o meu livro 00Fleming, Ensaio sobre a Imortalidade merecer cinco estrelas e uma crítica rude ao mesmo, que o título da prosa «Ensaio sobre a banalidade» resume.
Deve um autor sujeitar-se à crítica sem réplica? Duvido. Mas o que um autor não pode é consentir que aos leitores seja servida, como se crítica fosse, uma análise em que se produzem afirmações erróneas, contraditórias. Rogo, pois, a publicação deste texto.
Dizer que o meu trabalho é «demasiado superficial para os entusiastas do agente 007 e demasiado impenetrável para quem procure nele uma primeira porta de entrada no universo de Fleming» é obviamente uma contradição patente. Os «entusiastas» do 007 são na sua maioria cinéfilos deliciados com as aventuras sem ideias com que Hollywood abastardou a personagem, quantos não leram um livro sequer de Fleming [desde as da Portugália as edições em português são quase nulas] e o meu livro não pretende declaradamente ser «uma porta de entrada» na escrita de Fleming, sim uma elaboração sobre ela, de outro modo teria outro estilo e não se chamaria ensaio. Na ânsia de jogar com palavras, o crítico nem percebeu em que nó se mete. Fosse só isso…
Dizer que o meu livro «pouco mais faz do que resumir aquilo que já conhecemos [sic] de centenas de obras anteriores», é de uma arrogância hilariante. O crítico obviamente não leu centenas de obras sobre o Fleming e se escreve assim só pode ser para se dar ares de conhecedor. No fim do livro cito as referências do meu trabalho, que começou nos Arquivos Nacionais britânicos.
Mas há mais. Afirmar que ignoro o impacto que o Bond cinematográfico «teve no próprio Fleming» é não saber nada, nem ter lido sequer o que escrevi com atenção. Fleming não teve tempo de vida para assistir senão a dois filmes da série e não se entusiasmou com nenhum. A cinematografia Bond começou em 1962, Fleming morreu em 1964.
Dizer que eu me disperso «demasiado nos aspectos ocultistas da obra» é não ter dado conta, primeiro, que eles são uma evidência num homem que traduziu um escrito de Carl Jung sobre o alquimista Paracelso, pelo que o tema tem de ser referido e, segundo, que eu confessadamente os reduzo [9 páginas em 102], exactamente para não alinhar o meu escrito nesse tópico que é causa de perda de credibilidade.
Com destaque, diz o crítico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores», pois terei dito que «quando foi assassinado Kennedy estava a ler um livro de Bond». Gargalhada sonora. É óbvio que «quando foi assassinado» o malogrado Presidente não estava a ler livro algum! O que eu digo é que «na noite anterior estaria a ler um livro», condicional dubitativo percebe? E digo a seguir que tudo isso é «uma lenda». Cinco estrelas, sim, mas para o crítico! Pelas piores razões.
Em suma, se o meu livro é mau, esta crítica é péssima».
Deve um autor sujeitar-se à crítica sem réplica? Duvido. Mas o que um autor não pode é consentir que aos leitores seja servida, como se crítica fosse, uma análise em que se produzem afirmações erróneas, contraditórias. Rogo, pois, a publicação deste texto.
Dizer que o meu trabalho é «demasiado superficial para os entusiastas do agente 007 e demasiado impenetrável para quem procure nele uma primeira porta de entrada no universo de Fleming» é obviamente uma contradição patente. Os «entusiastas» do 007 são na sua maioria cinéfilos deliciados com as aventuras sem ideias com que Hollywood abastardou a personagem, quantos não leram um livro sequer de Fleming [desde as da Portugália as edições em português são quase nulas] e o meu livro não pretende declaradamente ser «uma porta de entrada» na escrita de Fleming, sim uma elaboração sobre ela, de outro modo teria outro estilo e não se chamaria ensaio. Na ânsia de jogar com palavras, o crítico nem percebeu em que nó se mete. Fosse só isso…
Dizer que o meu livro «pouco mais faz do que resumir aquilo que já conhecemos [sic] de centenas de obras anteriores», é de uma arrogância hilariante. O crítico obviamente não leu centenas de obras sobre o Fleming e se escreve assim só pode ser para se dar ares de conhecedor. No fim do livro cito as referências do meu trabalho, que começou nos Arquivos Nacionais britânicos.
Mas há mais. Afirmar que ignoro o impacto que o Bond cinematográfico «teve no próprio Fleming» é não saber nada, nem ter lido sequer o que escrevi com atenção. Fleming não teve tempo de vida para assistir senão a dois filmes da série e não se entusiasmou com nenhum. A cinematografia Bond começou em 1962, Fleming morreu em 1964.
Dizer que eu me disperso «demasiado nos aspectos ocultistas da obra» é não ter dado conta, primeiro, que eles são uma evidência num homem que traduziu um escrito de Carl Jung sobre o alquimista Paracelso, pelo que o tema tem de ser referido e, segundo, que eu confessadamente os reduzo [9 páginas em 102], exactamente para não alinhar o meu escrito nesse tópico que é causa de perda de credibilidade.
Com destaque, diz o crítico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores», pois terei dito que «quando foi assassinado Kennedy estava a ler um livro de Bond». Gargalhada sonora. É óbvio que «quando foi assassinado» o malogrado Presidente não estava a ler livro algum! O que eu digo é que «na noite anterior estaria a ler um livro», condicional dubitativo percebe? E digo a seguir que tudo isso é «uma lenda». Cinco estrelas, sim, mas para o crítico! Pelas piores razões.
Em suma, se o meu livro é mau, esta crítica é péssima».
Joaquim Furtado: a guerra em África, uma ferida por sarar?

Em Faro. No Pátio de Letras, uma livraria, um espaço de convívio cultural. A casa cheia para ouvirem Joaquim Furtado falar sobre os documentários que tem vindo a realizar para a RTP sobre a guerra em África. Ambiente amigo, conversa emotiva, franca. Houve quem, pela primeira vez, tenha ousado dizer: «eu estive lá». Uma ferida na sensibilidade de Portugal e da suas antigas possessões além-mar começa a cauterizar-se, sangrando.
Obrigado Joaquim pela generosidade, obrigado Liliana, pelo esforço tremendo que tem permitido manter a iniciativa de pé.
No dia 25 inaugurar-se-á no Espaço de Memória uma exposição permanente sobre a guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Faltam poucos dias e imenso trabalho. Surgirá.
Espaço de Memória
Inaugura-se hoje em Faro, pelas 17:30. Chama-se Espaço de Memória. «Tudo começou há vinte anos: decidi então juntar à vida que já tinha vivido como advogado, uma outra, a aventura da escrita.
O tema surgiu, como tanto do que é importante na vida, de um acaso.
Comecei a escrever artigos na imprensa, assinando-os com parte do meu nome: Chamo-me José António Rebelo da Silva Barreiros, assinava como António Rebelo da Silva. Simbolicamente era parte de mim que assim se representava, a mostrar que restava o outro, para o qual sobejavam os nomes de José Barreiros.
Um dia, ganhei ânimo e juntei tudo em livro. Felizmente está esgotado, porque é daquelas obras que não nos envergonham, fazem-nos apenas sentir um acesso de timidez pela sua ingenuidade. Chama-se A Lusitânia dos Espiões.
Foi assim que surgiu este interesse pela guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Verdadeiramente não sei porquê, mas na vida nem tudo tem explicação, porque há o mistério» [continua aqui]
The name's Bond, James Bond
Porque há milagres, terminei, com ilustrações do Abel Agostinho, um livro comemorativo do centenário do nascimento do escritor Ian Fleming. Ridicularizado por muitos por causa da criatura 007 que gerou e que Holywood degradou com a sua série de aventuras, há na sua vivência e na sua escrita mais profundidade do que imaginam os espectadores dos filmes inspirados na saga do agente que tinha «ordem para matar».O texto está na tipografia e eu em ânsias quanto a ter saído alguma coisa mal. O lançamento é no dia 12, em Faro.
Goldfinger
Desta feita eis-me a terminar, finalmente, um livro sobre Ian Fleming, comemorativo do facto de se terem completado, em 28 de Maio, cem anos sobre o seu nascimento.O prazo para entrega do texto à tipografia tem sido sucessivamente alterado, pelo cansaço, por outras obrigações sempre mais urgentes, pela vontade de aprimorar a prosa. Deste fim de semana não passa.
Quem lê nem imagina o trabalho que por vezes dá escrever.
Ian Fleming, inspirado em Otto Skorzeni, criou um grupo de comandos, uma unidade de assalto a que chamou 30AU. Ora sucedendo que o síbolo «au» é o do ouro, será por acaso que Auric Golfinger tem esse nome e o metal amarelo está presente praticamente em todos os livros do criador de 007?
Houvesse método alquímico de, através da pedra filosofal, eu transmutar este texto num livro já pronto, e nem hesitaria! Hermes Trimegisto me valha!
Centenário de Ian Fleming-Conferência no Estoril

Comemora-se no próximo dia 28 de Maio o centenário do nascimento de Ian Fleming. Estou a aprontar um pequeno livro de rememoração. Por gentileza do Presidente da Câmara Municipal de Cascais no próximo dia 28, pelas 21 horas, profiro no Estoril, no Espaço dos Exílios (antiga Estação dos Correios) uma conferência sobre a vida e a obra deste escritor cuja obra literária ultrapassa em muito aquilo que o cinema popularizou em torno da sua criatura: James Bond, o agente 007.
Ainda Howard
Obrigado à Teresa Guerreiro, infatigável coleccionadora de fotografias, o ter encontrado este momento em que o Século Ilustrado recordava que há trinta anos o actor Leslie Howard havia estado em Portugal, a proferir conferências. Sobre isso e sobre a circunstância de, ao haver regressado a casa, ter encontrado a morte, pois o avião onde viajava foi atacado pela Luftwaffe, escrevi um livro. Nele contámos a história em texto e em banda desenhada, esta com o traço do Carlos Barradas. Na foto, à direita, o seu empresário Alfred Chenalls, que também morreria na fatídica viagem. Treze passageiros a bordo, número aziago. Depois de ter escrito o livro encontrei ainda, saudosa, uma cativante figura de mulher a quem ficou, numa solitária fotografia, a recordação do momento grato dessa sua passagem por Lisboa.Casino Royale
No dia 28 de Maio comemoram-se cem anos que nasceu Ian Lancaster Fleming. Oficial dos serviços de informações da Marinha Britânica, o NID, esteve em Portugal, a acompanhar o almirante John Godfrey, a caminho da América, e participou na implantação de algumas operações secretas que envolvem a área ibérica.
Retirado do serviço militar, iniciaria aquilo que o levaria a figura de renome mundial, a actividade de escritor. Em 1953 publicaria Casino Royale, uma novela de suspense, em que o agente comunista Le Chiffre joga a partida da sua vida, na ânsia de poder recuperar os fundos do Partido, sem o que estaria à mercê do SMERSH, o cruel serviço de execuções de Moscovo, resopnsável pelo assassinato de Trotsky no México.
Redigido no ambiente da guerra-fria, na Jamaica, a cena do livro inspira-se numa passagem do autor por Lisboa, diz o site oficial do MI6. No livro a cena ocorre num casino que Fleming situa em Royale-les-Eaux, junto ao Somme. É aí que se dá a batalha decisiva entre os dois agentes, 007 a ter de vencer entre «um murmúrio de amor, um murmúrio de ódio».
É sobre isto que, por mais fantástico que pareça, estou a terminar um pequeno livro; a terminar ou a começar, conforme a perspectiva das coisas. Estará pronto a tempo.
A casa da Laura
Quando eu escrevi o guião para o livro sobre a morte do actor Leslie Howard senti uma dificuldade. Sabia que uns dias antes de embarcar, em Lisboa, para o fatídico voo em que encontraria a morte, Howard tinha jantado em Cascais com o seu amigo Ralph Chennals, no restaurante Casa da Laura.
Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:

Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:
o Carlos Barradas, autor das pranchas, desenhou a cena como se vista em plano picado, do alto.
Ora não é que o destino me fez encontrar agora, precisamente neste blog, aquilo que eu nem sonhava poder vir a encontrar?
Uma carta num livro
Segui todos os seus passos, a viagem a pé Paris/Varsóvia, em 1933, com vinte e um anos de entusiasmo, a viagem de bicicleta Paris/Líbano, em 1938, uma coragem inaudita, sempre a solidão a persegui-la, a arte e a escrita como sublimação. Vi-a, como se a tivesse visto, a subir a pé, em 1943, a Avenida da Liberdade em Lisboa, agente dupla ao serviço da causa aliada.
Encontrei-lhe, hoje nonagenário, um indiferente marido, num lugar perdido no Massachusetts. Li as cartas que escreveu, doente, a vida a escoar-se-lhe e ainda movendo-a uma raiva gigantesca de viver.
Por causa desta mulher escrevi um livro que é uma despercebida carta de amor ao que de melhor pode haver numa mulher. Hoje atrevo-me a dizê-lo, talvez pela razão ridícula de ser o dia da mulher, que isso me dói, por ela. Talvez não devesse dizê-lo. Mas é-me impossível evitar ter acordado com isso no pensamento.
Uma aventura na Praia dos Coelhos
É já na sexta-feira, em Setúbal, na Biblioteca Municipal -Av. Luísa Todi, nº 188, pelas 18:00, uma conversa sobre o «Ostro», o espião checo pró-Eixo que viveu em Portugal, anos seguidos, a coberto de uma firma comercial de import-export: Paul Fidrmuc e «Uma Aventura na Praia dos Coelhos».
No mesmo dia, sai um livro, um pequeno livro que um milagre permitiu que eu conseguisse escrever. Tinha prometido aqui, agora cumpro!
A Polónia, nação mártir

A Polónia foi o primeiro país a enfrentar a Guerra decretada por Adolph Hitler. Comemora hoje, dia 1 de Setembro, 68 anos desse trágico acontecimento. Dias depois o país era invadido pela URSS. A Rádio Polaca dedicou uma emissão especial ao assunto. O martírio deste povo e o seu inaudito sofrimento não pode ser esquecido.
Camuflagem aérea
Uma das artes essenciais para a guerra é a dissimulação, sob todas as formas. Uma delas é a camuflagem. Os engenheiros da Lockheed aprenderam como. Veja-se aqui como esta fábrica de aviões foi escondida, para evitar ataques japoneses. O sofrimento silenciado
O livro promete ser escandaloso ao falar do sofrimento dos alemães após a derrota em 1945. Tema tabu, pois apenas um dos lados era suposto ter sofrido atrocidades. Da recensão feita pelo Washington Post retiro: «During the forced expulsions of about 12 million Germans from the Reich's eastern provinces, mostly from territory that became part of the newly reconstituted states of Poland and Czechoslovakia, about 2 million died». Quando a História é escrita pelos vencedores, a verdade dos vencidos leva tempo a ser admitida, mesmo aqueles que estiveram em paz com a guerra.
von Stauffenberg

Vai ser rodado um filme sobre o atentado contra Adolph Hitler perpetrado por um grupo de resistentes de que fazia parte o Conde Claus Philipp Maria Schenk von Stauffenberg.
A polémica estalou porque foi escolhido para o papel o actor Tom Cruise, conhecido pelas suas ligações à igreja cientologista.
Como já referi aqui, a propósito de Graham Greene, sucedeu que «Otto John, que foi advogado da Lufthansa em Lisboa que, estando implicado, conjuntamente com o conde Stauffenberg, na conspiração para assassinar Adolph Hitler, se refugiou em Lisboa, de onde foi exfiltrado através da actuação de Rita Winsor com a insólita conivência do capitão Catela da PVDE, que, para esse efeito o prendeu no Aljube, protegendo-o dos agentes da Gestapo».
Estranha ligação: um dirigente a PVDE, ajudado por uma agente do Mi6, a dar saída a um assassino de Hitler! Isto sim é polémica!
007: Ian Fleming para o ano!
Segundo anuncia o «Times» de Londres, em Março do próximo ano o Imperial War Museum albergará uma exposição sobre Ian Fleming, mais concretamente sobre o seu principal personagem James Bond. Ben Macintyre escreve actualmente o livro que acompanhará a exposição, a ser editado pela Bloomsbury, sob o título «For your eyes Only».Ian Fleming trabalhou durante a 2ª Guerra no Departamento Naval da Marinha, sector de informações. Reformado escreveu em 1952 a sua primeira novela sobre espionagem, «Casino Royale». 12 anos depois faleceria tendo deixado catorze novelas em que o principal personagem é o agente «007».
Há quem suponha que a história inicial foi inspirada na passagem de Fleming por Lisboa, onde, na companhia do almirante Godfrey, se dirigiu à América. Não parece que o ambiente sombrio do Casino Estoril, que então visitou, o tenha grandemente inspirado.
Personagem mais denso do que se pode presumir ante os filmes que foram rodados a partir dos seus escritos «ainda estudante na Universidade de Genève, por exemplo, Fleming correspondeu-se com o filósofo e cientista Carl Gustav Jung, de quem obteve, aliás, em 29 de Novembro de 1929, uma autorização escrita para traduzir um discurso sobre o alquimista Paracelso (de seu nome aliás Aureolus Philippus Theofrastus Bombastus von Hohenheim, nascido em 1493, na Suiça)». Escrevi-o no meu primeiro livro sobre esta temática, «A Lusitânia dos Espiões», felizmente fora do mercado!
P. S. Quem quiser muito sobre 007, veja-o aqui!
Documentos soviéticos desclassificados
De acordo com notícias divulgadas pela imprensa, o Ministério da Defesa russo desclassificou documentos referentes ao Exército Vermelho e à Marinha soviética referente aos anos de 1941-1945. Trata-se de documentos conservados no Arquivo Central do Ministério, em Podolsk, onde se conservam cerca de quatro milhões de espécimes. Igualmente serão libertos documentos do Arquivo Naval Central em Gatchina e do Arquivo Médico Militar em São Petersburgo.A abertura progressiva dos arquivos russos é uma realidade, embora por vezes aparente para o investigador ocidental.
Na óptica russa a libertação da informação é apresentada na perspectiva dos seus próprios interesses. Não admira que a informação seja divulgada como permitindo a reconstituição do número de baixas soviéticas durante a Segunda Guerra, estimado em 26.600 milhões, including 8.660 milhões no sector militar.
«Ostro» em Setúbal
Os meus trabalhos de investigação sobre a guerra secreta não estão parados, mas baralharam-se um pouco desde a edição do último livro. Estou a recomeçá-los, com maior sistematização. A minha próxima iniciativa vai ser uma conferência em Setúbal sobre o agente checo Paul Fidrmuc, cognome «Ostro». O episódio que irei contar sucedeu na Praia dos Coelhos. Entretanto hesito a que livro dedicar-me. Alguma coisa sairá. Câmara Clara
Reencontrei no arquivo da RTP2 o vídeo de uma entrevista [abre em Real Player] dada em 16 de Fevereiro de 2007 a Paula Moura Pinheiro, em conjunto com o Francisco Teixeira da Mota. Vim fixá-la aqui, uns dirão por vaidade, outros denunciarão que por propaganda, uns poucos sem perceberem por quê. A verdade é esta: é para não a perder, como sucede a tanta coisa que escrevi e programas a que fui e de que não guardei nada. Ainda por cima saíu um programa bem disposto, o que até mim, sujeito bisonho e figura sisuda me espanta. Nela, falo de um livro que escrevi, a biografia de Nathalie Sergueiew. entre outras coisas. Quando saí do estúdio vinha cheio de ideias. Depois o camião da vida e suas obrigações atropelou-me, partindo-me as pernas, e cheguei ao Verão a mancar. Mesmo assim, ainda consegui escrever um livro, de contos lamurientos, naturalmente.
Leslie Howard: um novo livro em Janeiro
Estou este fim de semana a fechá-lo, revendo provas de autor, articulando com o «cartoonista» a versão definitiva das pranchas. É o livro que escrevi sobre a morte do actor Leslie Howard, quando regressava a Inglaterra, depois de uma missão a Portugal e a Espanha, ao serviço da propaganda britânica, patrocinada pelo Bristish Council.
O livro associa o talento de Carlos Barradas a um trabalho meu de redacção do guião da BD e de um texto em que a história é narrada com detalhe e os enigmas que ainda hoje suscita, equacionados. Fecha-o um texto do professor Douglas Wheeler.
O livro associa o talento de Carlos Barradas a um trabalho meu de redacção do guião da BD e de um texto em que a história é narrada com detalhe e os enigmas que ainda hoje suscita, equacionados. Fecha-o um texto do professor Douglas Wheeler.
Costumam perguntar-me como é possível que eu arranje tempo para isto. Respondo: vivendo a vida real não profissional através da escrita, até ao partir da lombada!
Se tudo correr bem, o livro estará nas livrarias no final de Janeiro! É pró menino e prá menina, pró papá e prá avózinha!
Tarrafal: 70 anos depois, o PCP
Não sei como, mas ainda consegui estar ontem, ao fim da tarde, no Centro de Trabalho do Partido Comunista Português, onde as edições «Avante!» lançaram um livro comemorativo dos 70 anos da abertura do Campo Prisional do Tarrafal, para cuja apresentação fui convidado. Sala repleta, a maioria seguramente de militantes do PCP. Escutei com atenção os discursos, sobretudo o de Jerónimo de Sousa, anatemizando o «branqueamento da história» feito por alguns «historiadores», cujos nomes foram ali referidos pelo responsável pela editora. Em tempos estudei o problema do Tarrafal por causa do que publiquei sobre o Cândido de Oliveira, que ali esteve internado. Dei conta disso neste mesmo blog, como pode ser encontrado -» aqui.
O que me fez alguma espécie foi não ter visto nesta edição ali lançada qualquer alusão à prisão de «mestre Cândido» e à sua passagem pelo Tarrafal. Seguramente que poderá ser por ele não ser comunista e a obra ser, no essencial, dedicada à situação dos comunistas e ao seu papel na denúncia do que ali se passava. Mas o que não posso deixar de referir é o facto de, contendo o livro uma cronologia dos principais eventos ocorridos no Campo, e tendo o fundador de «A Bola» chegado ali em 20 de Junho de 1942, nessa cronologia salta-se de Abril de 1942 para Setembro de 1942 e assim nem a sua entrada prisional merece uma palavra de registo.
Cândido, um casapiano que foi inspector dos CTT, escreveu como se sabe, um livro chamado «Pântano da Morte» que é uma denúncia do que se vivia naquele mortífero lugar. Nélida Freire Brito num recentíssimo livro chamado «Tarrafal na memória dos Prisioneiros» cita-o na bibliografia e várias vezes ao longo do texto o seu testemunho.
Como se sabe a sua deportação para o Tarrafal deve-se à sua colaboração com os serviços secretos ingleses do SOE.
Ainda no tempo em que era vivo o Luís Sá, esclarecido militante comunista, lhe perguntei se na rede de anti-fascistas que colaboraram com Londres para preparar, no quadro do SOE, meios clandestinos destinados a enfrentar uma invasão alemã de Portugal não estariam militantes comunistas. Explicou-me que o problema era complexo. Ontem, ao ter ouvido o que ouvi e folheado compreendi que sim. Gostava que alguém mo explicasse. Talvez o Homero Serpa, que escreveu uma biografia do fundador do jornal de que o filho é director, «o jornal de todos os desportos» tenha conseguido perceber. Eu confesso que não.
Ralph Fox: uma verdade pouco nua

No Verão de 1936, Ralph Fox, um fundador do partido comunista britânico, que havia escrito uma biografia de Lénine e outros livros sobre o marxismo, veio a Portugal, a caminho de Espanha, onde se alistaria nas Brigadas Internacionais, contra as forças de Franco. A passagem por Lisboa, que, apesar de ter durado apenas uns dias, daria um livro, que seria editado em 1937, depois da sua morte, que ocorreria nesse mesmo ano. O livro visa mostrar o comprometimento do governo de Oliveira Salazar com os nacionalistas espanhóis e a complacência dos ingleses quanto a tal facto. Pelo caminho fica uma descrição crítica do regime da Ditadura Nacional que nos governava e do próprio país e seus nacionais. Embora o autor refira incidentalmente que tentava descobrir «se os carregamentos de armas continuavam a ocorrer», a verdade é que no livro as referências aos negócios de armamento via Lisboa limitam-se a pouco mais do que conversas ouvidas no bar do Hotel Vitória, então um centro de concentração fascista e hoje, paradoxo do destino, uma das sede do PCP. O título na edição portuguesa é o mesmo da edição original inglesa «Portugal Now». O que está a mais é o subtítulo: «um espião comunista no Estado Novo». Porque sobre espionagem o livro, atraente como todos os da editora Tinta da China, tem nada. Tem ironia, tem inexactidões, tem observações interessantes, outras simplórias, mas merecia uma apresentação que não o desvirtuasse. Como diz o autor, a pretexto da estátua do Eça de Queirós, trata-se de «uma verdade pouco nua».
O Hotel Aviz
Hoje é uma torre horrível, o Centro Comercial Imaviz. Mas já foi em tempos um dos mais belos hotéis de Lisboa, o Hotel Aviz, na Avenida Fontes Pereira de Melo (telefone 48101). Em 1941/42 um cidadão arménio, portador de passaporte diplomático iraniano nº 712, ali residia , onde o Doutor Azeredo Perdigão, então um reputado Advogado comercialista em Lisboa o viria a encontrar, a seu pedido, para benefício diga-se de todos os portugueses, pois dessa relação nasceria a criação da generosa Fundação Gulbenkian, mecenas das artes e da cultura no nosso país. Chamava-se Calouste Gulbenkian.Instalado numa «suite», a sua comitiva integrava Miss Isabelle Theis, secretária (passaporte nº 20328), Helène Wilhelm, empregada de quartos, de nacionalidade francesa, Eugène Bruneau, um «valete» e enfermeiro, de nacionalidade francesa (passaporte nº 763), José Martinez, um correio intérprete, de nacionalidade espanhola (passporte nº 1411) e Mehmed Saradjoglu, motorista de nacionalidade turca (passaport nº 709/105).
O magnate havia deixado para trás, em França, uma vultuosa colecção de objectos de arte de grande valor e procurava no nosso país neutral um ambiente de sossego.
Generoso, havia multiplicado ofertas pecuniárias, entre a quais 50 contos à Faculdade de Direito de Lisboa, para os melhores alunos.
«John Ford»: o cinema no OSS
Sean Aloysius O'Feeney, mais conhecido como John Ford [1895-1973], realizador cinematográfico de nomeada, como uma vasta obra, seis vezes vencedor de prémios da Academia, poucos o sabem, serviu, durante a II Guerra na Reserva Naval. Mas foi ao serviço do OSS, o serviço secreto antecessor da CIA, que realizou vários filmes entre os quais “The Battle of Midway” and “December the 7th.” Filmou no Pacífico, em Burma, na India, e na Normandia. A entrevista sobre a sua acção pode ser encontrada aqui.O barão vermelho que me deixou verde!
Um livro é um torvelinho de afectos. Na ânsia de enriquecer o meu último livro e já na fase da revisão de gralhas, que é aquela em que um autor odeia o que escreveu e quase se pega à pancada com quem lhe sugere mais emendas, escrevi que a minha Lily Sergueiew tinha aprazado uma entrevista em Berlim com um barão, um tal von Richtoffen. Tinha lido isso no livro de viagens que ela escrevera, em 1933, «Mon voyage a pied» e que eu lera linha a linha, como se fizesse, tal como ela, a viagem Paris/Varsóvia a pé. Vai daí nem hesitei: só podia ser Manfred von Richthoffen, o «barão vermelho» o célebre herói da aviação. Crassa estupidez! Este aeronáutico barão morrera a 21 de Abril de 1918. Barão por barão haveria de ser um outro. Felizmente tenho leitores atentos, o que muito de honra. Deram por este gato e darão por outros. Hoje, domingo pela manhã, lá estava eu a conferir na página 142 do livro da minha biografada, fonte originária do erro. Não havia dúvidas. Era mesmo desatenção. O curioso da história é que no meu livro, depois de dar como assente que ela se ia iria encontrar com o aviador, pergunto-me em pé de página porque é que não refere que era o lendário barão vermelho. Pois pudera! O homem já tinha batido a asa. Aos leitores as minhas desculpas. É um pormenor, mas um pormenor irritante. Como dizia o Carlos Pinto Coelho, acontece!O Mundo em Gavetas
Obrigado a todos os que tornaram o livro possível. Obrigado a todos os que estiveram no acto de apresentação e aos que gostariam de ter estado. Obrigado à Liliana por ter tornado «O Mundo em Gavetas» uma realidade.«Uma agente dupla em LIsboa»: missão cumprida!
Enfim, acabou! O livro está pronto e será lançado em Lisboa, no dia 16 de Maio [18:30, na Ordem dos Advogados, no Largo de São Domingos], no Porto no dia 17 [pela mesma hora, no Clube Literário do Porto, na Rua da Alfândega, n.º 22] e em Faro [Clube Farense - Palácio dos Pantojas - R. de Sto. António, 26-28)] no dia 3 de Junho. Pelo meio, fica a Feira do Livro em Lisboa. Quem quiser ter uma ideia do que se trata, tente, aqui. Aguardamos neste momento que nos chegue o primeiro exemplar da tipografia, com a angústia de quem espera não tenha escapado qualquer gralha. Neste momento, de exaustão e satisfação misturadas, acho que deu mais trabalho revê-lo do que escrevê-lo. De qualquer modo, agora, já não há remédio. Em breve aí estará, sujeito à crítica.Os diários de Guy Liddell «on line»
Já me tinha referido aqui à publicação em livro dos «Diários» de Guy Liddell que entre 1939 e 1945 desempenhou funções de Director do MI5. Vejo agora que eles estão on line, em PDF, aqui, publicados por David Irving, que neles trabalhou quando elaborou uma biografia de Winston Churchill. Um contributo muito interessante e sintomática a fonte. Irving é conhecido pelas suas teses «revisionistas», entre as quais a denegação do «Holocausto».
2ª GG: a fita do tempo

Há várias fitas do tempo sobre a Segunda Guerra Mundial. No «Portal da História» está mais uma, em português. Mas há mais. Muitas mais. É a guerra no dia-a-dia.
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