Conversa na RTP-rádio...
Conversa com a jornalista Daniela Soares, da RTP-rádio, sobre o meu livro Traição a Salazar. Pode ouvir-se aqui.
Os "Centenários": propaganda e estratégia
O filme é típica obra de propaganda, encomiástica, a voz alteada em narrativa laudatória. É um documentário sobre a Exposição do Mundo Português. Teve lugar na zona ribeirinha de Lisboa, sendo seu comissário o capitão Henrique Galvão.
O facto político que a exposição traduz é, porém, significativo. Enquanto a Europa se dilacerava em guerra, enquanto pairavam sobre Portugal as ameaças da invasão alemã e - afinal dos próprios aliados para a prevenir - o Estado Novo quis dar mostra pública de dois valores simbólicos: primeiro, o da sua independência - e pela Comemoração dos Centenários se junatavam 1140 e 1640, a primeira a data aproximada do surgimento da Nação, a segunda o da libertação dos cinquenta anos de sujeição ao domínio de Castela - e segundo o «haver habitualmente» que Salazar havia definido ser o modo tranquilo do português que idealizava.
Acto de propaganda, sim, mas não só interna, sobretudo externa, a Exposição, os Centenários foi naquele ano no domínio dos símbolos políticos o que a declaração de neutralidade foi no plano das representações geo-estratégicas.
Sem essa compreensão pouco se entende da vital inportância desse ano.
A Inglaterra, a nossa mais velha Aliada far-se-ia representar ao mais alto nível pelo Duque de Kent. Um outro Duque surgiria, porém... [a ele voltaremos].
Operação Triplex
A consciência de que os serviços secretos ingleses durante a 2ª Guerra violavam a mala diplomática dos países neutrais, entre os quais Portugal, veio-me ao conhecimento ao ter lido, há uns vinte anos, as memórias de «Kim» Philby. Em rigor o homem chamava-se Harold Adrian Russel Philby. Adoptou o designativo de «Kim» por causa da obra O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, de quem era fã.
Essas memórias foram escritas em Moscovo, após a sua inopinada fuga para a URSS, descoberto que foi o facto de ser uma "toupeira", dede há muitos anos, dos serviços secretos soviéticos na comunidade britânica de informações.
Na obra, «Kim» descreve o método usado: o avião onde o correio diplomático viajava era propositadamente atrasado, o homem convidado pelo oficial de segurança do aeroporto a aguardar a demora nas suas instalações e a "aliviar-se" da mala no cofre disponível. Claro que o cofre tinha fundo falso e a mala era aberta e o conteúdo fotografado.
O que vim a saber mais tarde é que o responsável por essas operações sistemáticas [cognominadas Triplex] era Anthony Frederick Blunt, ele também uma infiltração soviética, e membro do Grupo dos Cinco, tal era o número daqueles que a URSS havia logrado infiltrar a alto nível nos serviços secretos britânicos. Blunt que viria a ser uma proeminente figura da aristocracia britânica, com o título de Sir, e curador de quadros da Rainha...
Usei a informação quando escrevi a biografia do Rogério de Menezes, o dactilógrafo da Embaixada portuguesa em Londres, que era um agente ao serviço dos alemães e dos italianos, ao tempo em que o Embaixador naquele País era Armindo Monteiro, pai do escritor Luís de Sttau Monteiro.
E porquê? Porque durante a investigação que me conduziu ao livro havia um enigma a resolver: como é que os ingleses tinham tido acesso às cartas que Menezes enviava para Lisboa, em envelopes endereçados a sua irmã, D. Hália de Menezes, nas quais fazia constar, escritas em tinta invisível, informações que recolhia na capital britânica? E mais: porque é que durante o seu julgamento no Tribunal Criminal Central de Londers, o Old Bailey, tudo foi feito pela acusação para esconder a origem das informações que levariam à sua condenação à pena de morte? [da qual escaparia, como conto no livro, em circunstâncias que são tão fantásticas como uma obra de ficção].
P. S. No blog 24 Land publico mais referências a este assunto. A ler, aqui.
O Espião Alemão em Goa: segunda edição
Na editora "Oficina do Livro" proibiram-me que anunciasse antes. Que roesse o nó dos dedos. Já tenho um exemplar impresso há vários dias. Mas o lançamento será no mês de Novembro. Em data a anunciar. Como daqui a umas horas começa Novembro, sinto-me autorizado. Na noite das bruxas.
Trata-se da segunda edição do livro "O Espião Alemão em Goa". Escrevi-o há dez anos, revi-o, actualizando alguma informação, limando certas ideias. O essencial da narrativa mantém-se. Cito do resumo: «Os factos são reais. No Carnaval de 1943 três navios alemães e um italiano, todos civis, foram incendiados e afundados, pela sua tripulação, no porto de Mormugão, no então Estado Português da Índia. Resistiam assim a um ataque do SOE britânico, o serviço de operações especiais encarregado "da guerra não cavalheiresca". Para proteger os interesses aliados, as autoridades portuguesas condenaram judicialmente os tripulantes, dando como não provado que tivessem resistido a uma tentativa de apresamento, com violação da nossa neutralidade. Ao erro judiciário seguiu-se a propaganda: para os britânicos o fiasco da expedição foi convertido em vitória. Só os portugueses saíram mal da história.
Salazar teve de intervir junto do poder judicial. O silêncio caiu sobre a história. Este livro tenta repor a verdade, para além das conveniências».
Trata-se da segunda edição do livro "O Espião Alemão em Goa". Escrevi-o há dez anos, revi-o, actualizando alguma informação, limando certas ideias. O essencial da narrativa mantém-se. Cito do resumo: «Os factos são reais. No Carnaval de 1943 três navios alemães e um italiano, todos civis, foram incendiados e afundados, pela sua tripulação, no porto de Mormugão, no então Estado Português da Índia. Resistiam assim a um ataque do SOE britânico, o serviço de operações especiais encarregado "da guerra não cavalheiresca". Para proteger os interesses aliados, as autoridades portuguesas condenaram judicialmente os tripulantes, dando como não provado que tivessem resistido a uma tentativa de apresamento, com violação da nossa neutralidade. Ao erro judiciário seguiu-se a propaganda: para os britânicos o fiasco da expedição foi convertido em vitória. Só os portugueses saíram mal da história.
Salazar teve de intervir junto do poder judicial. O silêncio caiu sobre a história. Este livro tenta repor a verdade, para além das conveniências».
Hitler e Portugal
Há achados inesperados. Este surgiu pela hora do almoço, entre uma garfada e uma espreitadela ao que ando a organizar no campo dos meus estudos. Um artigo sobre a relação entre Adolph Hitler e a imprensa portugusa. Abre com uma entrevista dada ao "Diário de Notícias".
«Armando Boaventura deixa perceber, no seu relato, que Hitler havia sido preparado para receber o jornalista, conduzindo a conversação em forma de monólogo.
"Oiço a sua voz - forte, dum timbre metálico que fere, voz de comando, autoritária.
O dr. Ashmann diz-lhe quem somos. Hitler já o sabia, e até, sobre cada um de nós, os dois jornalistas portugueses, possuia informações.
As suas primeiras palavras são de cumprimento - protocolares:
Lamenta não conhecer Portugal, por nunca o ter percorrido, mas as suas belezas, tesouros artísticos e gloriosa história não os ignora.
Uma frase, que o dr. Ashmann traduz num francês correcto:
- -As relações entra a Alemanha e Portugal têm tanta maior razão de existir, estreitas, íntimas e francamente cordiais, quanto é certo que a actual situação política portuguesa se inspira em muitos dos princípios, directrizes e objectivos que informam o regime nacional-socialista da nova Alemanha."
E tudo o mais que o leitor quiser ler aqui.
A honra da Rússia
Chamava-se Galina e encontrámo-nos, como se clandestinamente, em Zurich, eu trazendo à vista um livro do Graham Greene. Tudo começara numa livraria escondida onde procurei, como pretexto, álbuns sobre São Petersburgo. Procurava-os sim aos russos brancos em Paris, e à sua organização, as ROV, às infiltrações alemãs. Por ela soube que a Marina Grey era a filha do general Anton Denikin. Mais tarde seguiria no encalço dos raptores do general Miller, do mesmo bando que raptara o general Koutiepov, os mesmos que assassinariam "Trotsky".
Foram tempos em que li às pressas "Le General Meurt à Minuit" na nova Biblioteca Francesa, monumental, em forma de livro, em que hesitei escrever que o ouro do Banco de Espanha foi roubado pela "ajuda" internacionalista e carregada no porto de Cartagena.
Tempos em que subi a Rue Daru, folheei-os aos álbuns sobre a honra da Rússia, de André Korliakov, vi, boquiaberto no "Nimas" em Lisboa "O Agente Triplo" de Eric Rohmer, sem saber que tinha estudado tudo isso, semanas antes, incluindo o papel ambíguo de Nikolai Skoblin.
Tudo isso para um livro, a biografia de uma extraordinária mulher. O meu melhor livro, acho eu, o menos lido.
Aterrem em Portugal
A gentileza de Carlos Guerreiro permitiu a gentileza da entrevista. Milita no mesmo campo que eu, no seu caso, no da aviação. Pode ler-se aqui. Tem um blog e um livro que resume assim: «O nome deste blogue é igual ao de um livro chamado “Aterrem em Portugal”, editado em finais de 2008 e que contém histórias de aviões e aviadores alemães, britânicos, americanos e outras nacionalidades que durante a II Guerra Mundial aterraram ou caíram no nosso país.São mais de uma centena os aparelhos que tiveram esse destino e mais de seiscentos os homens que passaram por aqui durante esse período. Foi possível entrevistar vários destes homens ou consultar documentos – incluindo diários pessoais- onde a passagem por Portugal é referida».
Um trabalho notável.
Polacos na guerra secreta em Portugal
Vindos da Rússia, pela mão de José Milhazes [aqui e aqui] chegam documentos que os serviços secretos soviéticos obtiveram junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros polacos, remetidos pela Embaixada polaca em Lisboa. São relatórios do Embaixador da Polónia, Karl Dubic-Penter, com notas de conversa com o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, Oliveira Salazar. O encontro ocorreu em 13 de Março de 1937, quando da apresentação das cartas credenciais. A conversa teve como tópico a posição portuguesa face aos temas candentes da política externa. Encontrando um interlocutor profundamente informado, o Embaixador expõe uma proposta de colaboração dos polacos no combate ao comunismo, dado que para Salazar esse era o problema fundamental. A colaboração viria a tornar-se efectiva durante a 2ª Guerra, como se encontra a ser detalhadamente estudado na Polónia [ver aqui]. Parte, enfim, dos inestimáveis serviços de uma Nação católica, que seria martirizada pela URSS e pelo III Reich. Citando do documento:
«Visto que eu tinha sido encarregado pelo Chefe do Estado-Maior e pelo chefe do 2º Departamento de estabelecer cooperação com o Governo português na base de informações sobre a III Internacional, que prevê também a prestação de ajuda da nossa parte na organização da espionagem e acções de segurança, eu propus a SALAZAR ajuda nesse sentido. SALAZAR recebeu muito bem a minha proposta e disse-me que iria amplamente utilizar essa possibilidade»
O SOE em Portugal: duplicidade e traição
«Nesse dia frio de um novo ano que despontava chegava a Lisboa um inglês, jovem ainda, de aparência discreta, viajando com cobertura diplomática. Vinha de Londres. Tinha deixado atrás de si uma cidade preparada para a guerra. Sacos de areia por todo o lado protegem pessoas e edifícios. Balões de barragem tentam travar nos céus os progressos da aviação alemã. John Grosvenor Beevor, advogado da prestigiada firma de advogados Slaughter & May, conhecida como «O Círculo Mágico», ainda hoje uma das líderes nos meios forenses da Grã-Bretanha, havia sido recrutado para um organismo de quem nem o nome podia ser então revelado: o SOE». Assim abre um pequeno livro que escrevi sobre o que passou para a história como "a rede Shell".
Uma falha na formatação do texto eliminou o trecho onde referia quantos me antecederam na investigação que tenho desenvolvido sobre este tema: António Telmo, a quem devo gentileza de ter apresentado dois livros meus, Júlia Leitão de Barros que há vários anos abordou com solidez e rigor este tema depois descontinuado, Irene Pimentel, a quem se devem obras sucessivas, de cunho académico, em que o assunto da guerra secreta é recorrente, Rui Araújo, apesar deste me ignorar deliberadamente nas suas referências., gostaria eu de saber porquê.
Apesar de ser um livro para o grande público estas menções eram devidas e tantas outras. Uma história é sempre a daqueles que a encontraram e de quantos a viveram.
O Lupi das barbas
Controverso, viveu no regime anterior, entre as informações e a propaganda. Homem das esferas do poder, tinha acesso directo ao Presidente do Conselho e ao Presidente da República. Em 1962 a PIDE diagnosticava-lhe tendências pró americanas e pró inglesas. O seu ocaso inicia-se com a morte de Salazar. O 25 de Abril trar-lhe-ia a liquidação da ‘Lusitânia’, a agência noticiosa que criara em 1944, e o exílio. Na juventude recusara um emprego que Fernando Pessoa lhe sugerira, de correspondente em línguas estrangeiras em firmas comerciais.
Dia 4 de Dezembro de 1941. Aviões nipónicos atacam a base naval americana de Pearl Harbour, no Pacífico. Apanhados de surpresa, os yankees mal têm tempo para reagir. O resultado é o desastre.
Nessa noite o jornalista Luís Caldeira Lupi jantara no Gambrinus com sua mulher. Terminada a cuidada refeição seguiram para o cinema, a poucos passos dali. O Politeama era na altura um local aprazível.
O rápido evoluir da Guerra não o deixava, porém, tranquilo. Prevenindo qualquer eventualidade, deixara no escritório da agência de notícias de que era correspondente em Lisboa, a Reuter, indicação quanto ao local onde poderia ser encontrado.
A meio da exibição do filme dá-se o inesperado. Pelo altifalante do cinema «o senhor Lupi é convidado a ir ao telefone». Surpresa entre todos os que assistiam à película. Que se passaria?
Era o seu colega da Associated Press, em Berna, lugar onde se centralizavam todas as informações oriundas do vários correspondentes na Europa, a dar conta do traiçoeiro ataque nipónico e a pedir uma reacção oficial portuguesa.
Os passos de Lupi haviam sido, no entanto, seguidos pelo engenheiro Espregueira Mendes, na altura Sub-Secretário de Estado das Comunicações. Atónito, registou os apressados apontamentos que elucidavam quanto ao que se passara. A notícia assustava, prevendo-se já as suas funestas consequências.
Haveria que prevenir. Dali mesmo se telefonou, por isso, para a residência de Oliveira Salazar, o Presidente do Conselho de Ministros, informando-o do sucedido. Pressuroso, Lupi acrescenta que ante esta situação a América já estava em guerra e o Alemanha «em breve seria liquidada».
Tudo se passava então num círculo restrito.
Solitário na sua reclusão na Rua da Imprensa, o Presidente do Conselho não tinha o favor de conselheiros ou assessores que hoje em grande número coadjuvam os membros do Governo.
Com uma manta de lã em cima dos joelhos, para assim poupar energia em aquecimento, Salazar seguia o curso da guerra através do telégrafo que ia deixando notícia dos progressos militares e dos principais actos das chancelarias.
Activo, fiel, Lupi, que o Papa João XXIII elevaria à condição de Visconde Baçaim, vivia de alma e coração a sua profissão. Fundara em 1944, dirigira durante anos o escritório da Associated Press em Lisboa. O jornalismo era a sua devoção, as informações o seu ‘métier’.
Salazarista convicto, não deixaria de ter, porém, problemas com o regime ou pelo menos com alguns dos seus quadros. A entrevista de Salazar a António Ferro, que marcaria em 1938 um ponto alto na propaganda do Chefe, e que o Diário de Notícias publicou, seria resumida de modo considerado indesejável pelo colaboracionista e obediente Sindicato dos Jornalistas. Colocado em suspeita o jornalista autor das transcrições, o nome de Lupi acabou referenciado. Do relatório final elaborado pela PVDE consta esta informação de síntese, da autoria de Agostinho Lourenço da Conceição Fernandes, o seu director: “(…) aparece uma vez mais o nome de Luís Lupi. O seu passado pouco recomendável leva-me a admitir que é capaz do que se suspeita e de muito mais. As suas afinidades e relações, que não se justificam pela sua categoria, o seu trem de vida muito e muito superior ao normal e sobretudo aos que desempenham idêntica profissão, fazem-me crer que o Lupi, esquecendo-se que é português, não tem dúvida em servir estranhos que lhe pagam bem, mesmo que seja para colaborar em campanhas contra a sua Pátria”.
Estava criada a suspeita sobre se o homem que em 1944 viria a fundar a agência “Lusitânia” não estaria a soldo de serviços estrangeiros de informações.
Mau grado o ciúme e o despeito, é verdade que se tornaria indispensável. Na sua residência havia um telefone directo com que comunicava directamente com Salazar. Às quintas-feiras era recebido pelo Presidente da República.
A antipatia por Ferro marcar-lhe-ia muito do seu destino. Numa sua interessante biografia, editada em 1995 e prefaciada por Paradela de Abreu, Wilton Fonseca lembra um acontecimento desse turbulento ano de 1938. Ferro, director do Secretariado de Propaganda Nacional haveria sugerido a Lupi que, através da Reuter, se passasse a falar “mais e melhor” de Portugal.
Agastado com o teor do convite e da sugestão, Lupi contra-ataca: “Em todas as circunstâncias, a Reuter é a única entidade com direito a decidir sobre qual o noticiário que deve ou não ser distribuído à imprensa e a ideia de nos oferecerem pagamento é absolutamente fora de questão”.
Estava criado o atrito. O “Lupi das barbas” como o individualizava Salazar, tornava-se mais útil nas informações do que na propaganda. Sem aquelas não há poder, sem esta não há regime. O homem que em 1936 escrevera ‘Achtung! Uma Civilização Ameaçada’ tornara-se o ‘informant’ e o conselheiro da Situação.
PS Na foto o Luís Lupi proferindo conferência na Sociedade de Geografia. Barbeado. Mais tarde o Regime rapá-lo-ia.
Ian Fleming: o gosto amargo
O JL pediu-me e publicou neste último número um pequeno texto sobre «um espião que tivesse a ver com a Literatura»:
Fiquei embaraçado porque a escolha é vasta.
Acabou por sair isto que, por estar já divulgado, permito-me citar, vendo que o tema da capa do jornal é «Espiões, literatura, sedução e mistério»:
«Podia ser Graham Greene, que tendo estado no desk português da Secção V do MI6 foi um notável escritor, ou Malcolm Muggeridge, que serviu o MI6 em Lourenço Marques e nos legou uma interessante obra literária, ou mais antigo, Somerset Maugham que, a mando dos serviços britânicos, esteve na Rússia czarista, com fundos clandestinos, a tentar salvar o governo de Kerensky. Era “chic” que fosse John Le Carré, nome literário que adoptou David Corwell, colaborador também do MI6 e do MI5 e cujas personagens têm um toque de polimento académico e por cuja escrita perpassa uma sempre bem recebida crítica ao “establishement” da comunidade oficial de “intelligence”. Escolhi Ian Lancaster Fleming e a sua criatura James Bond, porque, como escrevi num livro que editei quando do centenário do primeiro, tratam-se de uma e da mesma pessoa, uma interessante autobiografia comum. Há nos seus livros uma tragédia existencial e uma simbólica alquímica que Hollywodd malbaratou tornando 007 uma figura burlesca. Há uma transmigração de almas, como no caso do carro que fala, o “Chitty Chitty Bang Bang”, que escreveu estando no hospital a iniciar o processo que o levaria à morte. Escolhi-o porque «depois de uma certa idade, ninguém deve relacionar-se com alguém que deixe numa pessoa um gosto amargo no espírito ou no palato; méfiez-vous du sang apre», escreveu no seu bloco de apontamentos, a vida a escoar-se-lhe. Escolhi-o porque “You Only Live Twice”»..
"Romances de espionagem!
Uma pessoa mata-se a trabalhar. Passa dias nos arquivos, gasta uma pequena fortuna em livros e em documentos. Publica cinco livros que foram centenas de horas de investigação sobre a guerra secreta em Portugal enter 1939-1945.
Depois lê isto aqui, citado a propósito do actual momento e dos "espiões" que foram descobertos nos EUA mais as trocas com espiões russos: «(...) analisa José António Barreiros, advogado, autor de romances de espionagem, incluindo um (Nathalie Sergueiew, uma agente dupla em Lisboa) que relata a actividade de uma espia russa em Portugal». Romances de espionagem diz ele jornalista que quando me telefonou se justificou dizendo conhecer a minha obra e a quem eu disse que hesitaria responder por me parecer que a mesma, sendo no campo do ensaio histórico podia não dar elementos que permitissem uma opinião credível sobre o que estava em causa.
Uma pessoa mata-se a trabalhar. Passa dias nos arquivos, gasta uma pequena fortuna em livros e em documentos. Publica cinco livros que foram centenas de horas de investigação. Depois sente-se uma palhaço às mãos deste mundo de superficialidades. Antigamente irritava-me porque amigos meus diziam que tinham gostado muito de ler os meus "romances policiais". Agora, às mãos da imprensa bem pensante passei a autor de "romances de espionagem". É por isso que quase não leio jornais. Na minha pele sinto a dos outros à mercê dos abutres da carne fácil, morta de pereferência.
Fim de uma exposição
Inaugurou-se, como aqui informei, em 25 de Outubro de 2008, uma exposição. Terminará, como aqui se anuncia, amanhã. Foi um esforço pelo qual estou grato aos que o proporcionaram, à vida por ter-me permitido. Em Portugal não existiu nada de semelhante. Não é que tenha grande importância. É só por ter sido uma pequena coisa que não havia. Aqui fica: obrigado, também àqueles a quem já não posso dizê-lo pessoalmente.
00Fleming: crítica a um crítico
Para que quem tiver lido a crítica e quiser ficar esclarecido, aqui vai o contraditório que espero a publicação em causa garanta. Como é mensal, levará um mês a efectivar-se, a acontecer.
«Vejo na página 66 da revista Os Meus Livros uma irónica contradição entre o meu livro 00Fleming, Ensaio sobre a Imortalidade merecer cinco estrelas e uma crítica rude ao mesmo, que o título da prosa «Ensaio sobre a banalidade» resume.
Deve um autor sujeitar-se à crítica sem réplica? Duvido. Mas o que um autor não pode é consentir que aos leitores seja servida, como se crítica fosse, uma análise em que se produzem afirmações erróneas, contraditórias. Rogo, pois, a publicação deste texto.
Dizer que o meu trabalho é «demasiado superficial para os entusiastas do agente 007 e demasiado impenetrável para quem procure nele uma primeira porta de entrada no universo de Fleming» é obviamente uma contradição patente. Os «entusiastas» do 007 são na sua maioria cinéfilos deliciados com as aventuras sem ideias com que Hollywood abastardou a personagem, quantos não leram um livro sequer de Fleming [desde as da Portugália as edições em português são quase nulas] e o meu livro não pretende declaradamente ser «uma porta de entrada» na escrita de Fleming, sim uma elaboração sobre ela, de outro modo teria outro estilo e não se chamaria ensaio. Na ânsia de jogar com palavras, o crítico nem percebeu em que nó se mete. Fosse só isso…
Dizer que o meu livro «pouco mais faz do que resumir aquilo que já conhecemos [sic] de centenas de obras anteriores», é de uma arrogância hilariante. O crítico obviamente não leu centenas de obras sobre o Fleming e se escreve assim só pode ser para se dar ares de conhecedor. No fim do livro cito as referências do meu trabalho, que começou nos Arquivos Nacionais britânicos.
Mas há mais. Afirmar que ignoro o impacto que o Bond cinematográfico «teve no próprio Fleming» é não saber nada, nem ter lido sequer o que escrevi com atenção. Fleming não teve tempo de vida para assistir senão a dois filmes da série e não se entusiasmou com nenhum. A cinematografia Bond começou em 1962, Fleming morreu em 1964.
Dizer que eu me disperso «demasiado nos aspectos ocultistas da obra» é não ter dado conta, primeiro, que eles são uma evidência num homem que traduziu um escrito de Carl Jung sobre o alquimista Paracelso, pelo que o tema tem de ser referido e, segundo, que eu confessadamente os reduzo [9 páginas em 102], exactamente para não alinhar o meu escrito nesse tópico que é causa de perda de credibilidade.
Com destaque, diz o crítico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores», pois terei dito que «quando foi assassinado Kennedy estava a ler um livro de Bond». Gargalhada sonora. É óbvio que «quando foi assassinado» o malogrado Presidente não estava a ler livro algum! O que eu digo é que «na noite anterior estaria a ler um livro», condicional dubitativo percebe? E digo a seguir que tudo isso é «uma lenda». Cinco estrelas, sim, mas para o crítico! Pelas piores razões.
Em suma, se o meu livro é mau, esta crítica é péssima».
Deve um autor sujeitar-se à crítica sem réplica? Duvido. Mas o que um autor não pode é consentir que aos leitores seja servida, como se crítica fosse, uma análise em que se produzem afirmações erróneas, contraditórias. Rogo, pois, a publicação deste texto.
Dizer que o meu trabalho é «demasiado superficial para os entusiastas do agente 007 e demasiado impenetrável para quem procure nele uma primeira porta de entrada no universo de Fleming» é obviamente uma contradição patente. Os «entusiastas» do 007 são na sua maioria cinéfilos deliciados com as aventuras sem ideias com que Hollywood abastardou a personagem, quantos não leram um livro sequer de Fleming [desde as da Portugália as edições em português são quase nulas] e o meu livro não pretende declaradamente ser «uma porta de entrada» na escrita de Fleming, sim uma elaboração sobre ela, de outro modo teria outro estilo e não se chamaria ensaio. Na ânsia de jogar com palavras, o crítico nem percebeu em que nó se mete. Fosse só isso…
Dizer que o meu livro «pouco mais faz do que resumir aquilo que já conhecemos [sic] de centenas de obras anteriores», é de uma arrogância hilariante. O crítico obviamente não leu centenas de obras sobre o Fleming e se escreve assim só pode ser para se dar ares de conhecedor. No fim do livro cito as referências do meu trabalho, que começou nos Arquivos Nacionais britânicos.
Mas há mais. Afirmar que ignoro o impacto que o Bond cinematográfico «teve no próprio Fleming» é não saber nada, nem ter lido sequer o que escrevi com atenção. Fleming não teve tempo de vida para assistir senão a dois filmes da série e não se entusiasmou com nenhum. A cinematografia Bond começou em 1962, Fleming morreu em 1964.
Dizer que eu me disperso «demasiado nos aspectos ocultistas da obra» é não ter dado conta, primeiro, que eles são uma evidência num homem que traduziu um escrito de Carl Jung sobre o alquimista Paracelso, pelo que o tema tem de ser referido e, segundo, que eu confessadamente os reduzo [9 páginas em 102], exactamente para não alinhar o meu escrito nesse tópico que é causa de perda de credibilidade.
Com destaque, diz o crítico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores», pois terei dito que «quando foi assassinado Kennedy estava a ler um livro de Bond». Gargalhada sonora. É óbvio que «quando foi assassinado» o malogrado Presidente não estava a ler livro algum! O que eu digo é que «na noite anterior estaria a ler um livro», condicional dubitativo percebe? E digo a seguir que tudo isso é «uma lenda». Cinco estrelas, sim, mas para o crítico! Pelas piores razões.
Em suma, se o meu livro é mau, esta crítica é péssima».
Joaquim Furtado: a guerra em África, uma ferida por sarar?

Em Faro. No Pátio de Letras, uma livraria, um espaço de convívio cultural. A casa cheia para ouvirem Joaquim Furtado falar sobre os documentários que tem vindo a realizar para a RTP sobre a guerra em África. Ambiente amigo, conversa emotiva, franca. Houve quem, pela primeira vez, tenha ousado dizer: «eu estive lá». Uma ferida na sensibilidade de Portugal e da suas antigas possessões além-mar começa a cauterizar-se, sangrando.
Obrigado Joaquim pela generosidade, obrigado Liliana, pelo esforço tremendo que tem permitido manter a iniciativa de pé.
No dia 25 inaugurar-se-á no Espaço de Memória uma exposição permanente sobre a guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Faltam poucos dias e imenso trabalho. Surgirá.
Espaço de Memória
Inaugura-se hoje em Faro, pelas 17:30. Chama-se Espaço de Memória. «Tudo começou há vinte anos: decidi então juntar à vida que já tinha vivido como advogado, uma outra, a aventura da escrita.
O tema surgiu, como tanto do que é importante na vida, de um acaso.
Comecei a escrever artigos na imprensa, assinando-os com parte do meu nome: Chamo-me José António Rebelo da Silva Barreiros, assinava como António Rebelo da Silva. Simbolicamente era parte de mim que assim se representava, a mostrar que restava o outro, para o qual sobejavam os nomes de José Barreiros.
Um dia, ganhei ânimo e juntei tudo em livro. Felizmente está esgotado, porque é daquelas obras que não nos envergonham, fazem-nos apenas sentir um acesso de timidez pela sua ingenuidade. Chama-se A Lusitânia dos Espiões.
Foi assim que surgiu este interesse pela guerra secreta em Portugal, entre 1939-1945. Verdadeiramente não sei porquê, mas na vida nem tudo tem explicação, porque há o mistério» [continua aqui]
The name's Bond, James Bond
Porque há milagres, terminei, com ilustrações do Abel Agostinho, um livro comemorativo do centenário do nascimento do escritor Ian Fleming. Ridicularizado por muitos por causa da criatura 007 que gerou e que Holywood degradou com a sua série de aventuras, há na sua vivência e na sua escrita mais profundidade do que imaginam os espectadores dos filmes inspirados na saga do agente que tinha «ordem para matar».O texto está na tipografia e eu em ânsias quanto a ter saído alguma coisa mal. O lançamento é no dia 12, em Faro.
Goldfinger
Desta feita eis-me a terminar, finalmente, um livro sobre Ian Fleming, comemorativo do facto de se terem completado, em 28 de Maio, cem anos sobre o seu nascimento.O prazo para entrega do texto à tipografia tem sido sucessivamente alterado, pelo cansaço, por outras obrigações sempre mais urgentes, pela vontade de aprimorar a prosa. Deste fim de semana não passa.
Quem lê nem imagina o trabalho que por vezes dá escrever.
Ian Fleming, inspirado em Otto Skorzeni, criou um grupo de comandos, uma unidade de assalto a que chamou 30AU. Ora sucedendo que o síbolo «au» é o do ouro, será por acaso que Auric Golfinger tem esse nome e o metal amarelo está presente praticamente em todos os livros do criador de 007?
Houvesse método alquímico de, através da pedra filosofal, eu transmutar este texto num livro já pronto, e nem hesitaria! Hermes Trimegisto me valha!
Centenário de Ian Fleming-Conferência no Estoril

Comemora-se no próximo dia 28 de Maio o centenário do nascimento de Ian Fleming. Estou a aprontar um pequeno livro de rememoração. Por gentileza do Presidente da Câmara Municipal de Cascais no próximo dia 28, pelas 21 horas, profiro no Estoril, no Espaço dos Exílios (antiga Estação dos Correios) uma conferência sobre a vida e a obra deste escritor cuja obra literária ultrapassa em muito aquilo que o cinema popularizou em torno da sua criatura: James Bond, o agente 007.
Ainda Howard
Obrigado à Teresa Guerreiro, infatigável coleccionadora de fotografias, o ter encontrado este momento em que o Século Ilustrado recordava que há trinta anos o actor Leslie Howard havia estado em Portugal, a proferir conferências. Sobre isso e sobre a circunstância de, ao haver regressado a casa, ter encontrado a morte, pois o avião onde viajava foi atacado pela Luftwaffe, escrevi um livro. Nele contámos a história em texto e em banda desenhada, esta com o traço do Carlos Barradas. Na foto, à direita, o seu empresário Alfred Chenalls, que também morreria na fatídica viagem. Treze passageiros a bordo, número aziago. Depois de ter escrito o livro encontrei ainda, saudosa, uma cativante figura de mulher a quem ficou, numa solitária fotografia, a recordação do momento grato dessa sua passagem por Lisboa.Casino Royale
No dia 28 de Maio comemoram-se cem anos que nasceu Ian Lancaster Fleming. Oficial dos serviços de informações da Marinha Britânica, o NID, esteve em Portugal, a acompanhar o almirante John Godfrey, a caminho da América, e participou na implantação de algumas operações secretas que envolvem a área ibérica.
Retirado do serviço militar, iniciaria aquilo que o levaria a figura de renome mundial, a actividade de escritor. Em 1953 publicaria Casino Royale, uma novela de suspense, em que o agente comunista Le Chiffre joga a partida da sua vida, na ânsia de poder recuperar os fundos do Partido, sem o que estaria à mercê do SMERSH, o cruel serviço de execuções de Moscovo, resopnsável pelo assassinato de Trotsky no México.
Redigido no ambiente da guerra-fria, na Jamaica, a cena do livro inspira-se numa passagem do autor por Lisboa, diz o site oficial do MI6. No livro a cena ocorre num casino que Fleming situa em Royale-les-Eaux, junto ao Somme. É aí que se dá a batalha decisiva entre os dois agentes, 007 a ter de vencer entre «um murmúrio de amor, um murmúrio de ódio».
É sobre isto que, por mais fantástico que pareça, estou a terminar um pequeno livro; a terminar ou a começar, conforme a perspectiva das coisas. Estará pronto a tempo.
A casa da Laura
Quando eu escrevi o guião para o livro sobre a morte do actor Leslie Howard senti uma dificuldade. Sabia que uns dias antes de embarcar, em Lisboa, para o fatídico voo em que encontraria a morte, Howard tinha jantado em Cascais com o seu amigo Ralph Chennals, no restaurante Casa da Laura.
Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:

Ora uma vez que o livro tinha, para além do texto no qual a história era narrada no seu rigor histórico, um fólio em que era contada com um ou outro elemento de fantasia, em banda desenhada, e como eu não consegui encontrar então nenhuma foto de tal reputado restaurante, optei por um expedidente:
o Carlos Barradas, autor das pranchas, desenhou a cena como se vista em plano picado, do alto.
Ora não é que o destino me fez encontrar agora, precisamente neste blog, aquilo que eu nem sonhava poder vir a encontrar?
Uma carta num livro
Segui todos os seus passos, a viagem a pé Paris/Varsóvia, em 1933, com vinte e um anos de entusiasmo, a viagem de bicicleta Paris/Líbano, em 1938, uma coragem inaudita, sempre a solidão a persegui-la, a arte e a escrita como sublimação. Vi-a, como se a tivesse visto, a subir a pé, em 1943, a Avenida da Liberdade em Lisboa, agente dupla ao serviço da causa aliada.
Encontrei-lhe, hoje nonagenário, um indiferente marido, num lugar perdido no Massachusetts. Li as cartas que escreveu, doente, a vida a escoar-se-lhe e ainda movendo-a uma raiva gigantesca de viver.
Por causa desta mulher escrevi um livro que é uma despercebida carta de amor ao que de melhor pode haver numa mulher. Hoje atrevo-me a dizê-lo, talvez pela razão ridícula de ser o dia da mulher, que isso me dói, por ela. Talvez não devesse dizê-lo. Mas é-me impossível evitar ter acordado com isso no pensamento.
Uma aventura na Praia dos Coelhos
É já na sexta-feira, em Setúbal, na Biblioteca Municipal -Av. Luísa Todi, nº 188, pelas 18:00, uma conversa sobre o «Ostro», o espião checo pró-Eixo que viveu em Portugal, anos seguidos, a coberto de uma firma comercial de import-export: Paul Fidrmuc e «Uma Aventura na Praia dos Coelhos».
No mesmo dia, sai um livro, um pequeno livro que um milagre permitiu que eu conseguisse escrever. Tinha prometido aqui, agora cumpro!
A Polónia, nação mártir

A Polónia foi o primeiro país a enfrentar a Guerra decretada por Adolph Hitler. Comemora hoje, dia 1 de Setembro, 68 anos desse trágico acontecimento. Dias depois o país era invadido pela URSS. A Rádio Polaca dedicou uma emissão especial ao assunto. O martírio deste povo e o seu inaudito sofrimento não pode ser esquecido.
Camuflagem aérea
Uma das artes essenciais para a guerra é a dissimulação, sob todas as formas. Uma delas é a camuflagem. Os engenheiros da Lockheed aprenderam como. Veja-se aqui como esta fábrica de aviões foi escondida, para evitar ataques japoneses. O sofrimento silenciado
O livro promete ser escandaloso ao falar do sofrimento dos alemães após a derrota em 1945. Tema tabu, pois apenas um dos lados era suposto ter sofrido atrocidades. Da recensão feita pelo Washington Post retiro: «During the forced expulsions of about 12 million Germans from the Reich's eastern provinces, mostly from territory that became part of the newly reconstituted states of Poland and Czechoslovakia, about 2 million died». Quando a História é escrita pelos vencedores, a verdade dos vencidos leva tempo a ser admitida, mesmo aqueles que estiveram em paz com a guerra.
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